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Hong Kong e I Ching

De viagem a Hong Kong, visitei um velho amigo em New Territories. Taoista convicto, ele é um estudioso do livro das mutações ou I Ching. Eu aproveito estas visitas para falar com o ‘’oráculo’’, ele prefere dizer que é um livro de sabedoria. Lawrence é generoso na partilha dos conhecimentos adquiridos, mas desta vez a conversa com o ‘’oráculo’’ foi curta, fiquei a saber que completei aquilo a que os chineses designam por o ciclo da vida.

O calendário Chinês tem um ciclo de 60 anos conhecido por Jia Zi, e por isso, segundo ele, já não era importante entrar em detalhes sobre o futuro. A leitura dos ‘’4 pilares do destino’’ que permite, literalmente, ler o destino da pessoa baseado na data e hora de nascimento, definir os cinco elementos que constituem a base do universo (metal, água, madeira, fogo e terra), e que são também a base de cada indivíduo no seu dia-a-dia, já não faziam sentido para mim.

Lawrence diz-me que o que devia fazer era ler ‘’Ikigai’’,ou a felicidade de estar sempre ocupado, o livro do espanhol Héctor Garcia, para perceber como aproveitar o que me resta da vida.

Algo desapontado, mas agradecido pelo conhecimento que me foi permitido, decido falar do presente e do passado de Hong Kong território que visitei pela primeira vez faz 32 anos, quando só tinha completado meio ciclo da minha vida.

Hong Kong é um território fascinante em permanente mutação pela construção. O famoso hotel Península que tinha em frente o mar está agora na segunda linha de água e prepara-se para estar na terceira no próximo ano, com a terra que é reclamada ao mar.

Como é possível que um pedaço de terra sem nenhuma riqueza em recursos naturais, regularmente atingida por tufões, seja hoje um dos mais ricos locais no mundo, com um PIB por habitante superior à maioria dos países ocidentais, com um governo que apresenta superávite e regularmente envia os seus excedentes de volta aos seus cidadãos? Esta é uma região que em vez de pagar juros sobre dívida, ao contrário, recebe juros e tem ganhos financeiros.

 

Lawrence aproveita para me dizer que no orçamento de 2018-2019 está previsto que três milhões de pessoas em Hong Kong recebam 4.000 dólares. E eu pergunto-lhe, qual é o segredo? A resposta vem sem pestanejar: liberdade. A liberdade de correr riscos, de cometer erros sofrendo as consequências ou colhendo os benefícios quando se tem sucesso, pagando poucos impostos. Esse foi sempre o segredo de Hong Kong mas está a mudar, por influência americana com o FATCA, criando maior burocracia, mais regulamentação e tornando as pessoas menos livres, no que parece ser uma tendência mundial.

Hong Kong foi muita coisa na sua curta história, um conjunto de aldeias piscatórias, um centro de negócio de ópio, um refúgio de revolucionários, um mercado livre onde fortunas podiam ser feitas e desfeitas, um troféu de guerra, uma janela aberta para a China, uma colónia inglesa com limite de validade, mas sempre desde o seu início foi um território que procurou produzir mais que aquilo que consumia, com poucas regras que implicam pouco governo e assim poucos custos que permitem poucos e baixos impostos.

Mas Lawrence, retorqui, sejamos claros, o inicio da história é de baixa moralidade, a existência de Hong Kong deve-se à guerra do ópio, aquilo a que hoje se designaria por guerra pelo tráfico de droga, que gerou enormes lucros para Hong Kong. Hoje nas mesmas circunstancias Hong Kong seria classificado como um Narco Estado.

Hoje este modelo não se poderia repetir. A China tinha no século XIX um vício pelo ópio mais importante ainda que aquele que os americanos hoje manifestam pelos opiáceos. A diferença é que enquanto naquela época se designavam por mercadores os fornecedores de ópio e eram protegidos pelo Império Britânico, hoje os antigos mercadores são traficantes, atacados pelos Estados.

Curiosamente, o resultado social é que parece ser quase o mesmo entre as duas épocas, enquanto em 1900 um quarto da população masculina na China estava viciada, nos Estados Unidos as estatísticas dizem que têm 10% de viciados.

É verdade, responde Lawrence: ‘’ Mas também é verdade que em termos económicos, por ter sido criado desde o seu início como porto franco, muita gente migrou para Hong Kong baseado na premissa que se trabalhassem duro poderiam garantir um futuro para si e para as suas famílias, prosperando. Entre 1842 e 1862, a população de Hong Kong multiplicou-se por 10 e ganhou fama entre os empreendedores. Este é que foi o sucesso de Hong Kong.

Hoje no Ocidente a situação é diferente, as pessoas procuram segurança ao ponto de o empreendedorismo se ter tornado um ‘’sound bite’’ político. Empreendedores eram aqueles que chegavam a Hong Kong no século XIX, sem garantias, só com o sonho de terem uma vida melhor.

Hoje, apesar das aparências, vejo algum declínio, porque é muito mais fácil ser consumidor que produtor. As fábricas foram todas deslocalizadas para a China, só os serviços ficaram e, com a guerra comercial com os Estados Unidos, Hong Kong vai ter de se reinventar, e isso já é visível na leitura do calendário Chinês. Nos cinco elementos de suporte ao calendário, fogo representa felicidade e optimismo aquilo que se verificou nos anos anteriores do macaco e do galo, mas 2018 é o ano do cão e o elemento fogo dá lugar a água, arrefecendo o optimismo e dando lugar ao receio. O cão traz declínio no crescimento económico e só teremos fogo de novo em 2025, pelo que se pode esperar uma transição negativa nos próximos 7 anos.’’

Será que Hong Kong está a dar um sinal sobre o futuro?

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