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Grandes Bancos tornaram-se um problema?

Estamos todos mais ou menos habituados a ver as pequenas empresas financeiras como sendo potenciais problemas. Não me ocorre agora qual a origem desta tendência, mas creio que ela está hoje em dia suficientemente enraizada em toda a gente, quer seja consumidor, legislador ou regulador.

Num mundo cada vez mais globalizado detectou-se um novo perigo que se define por risco de sistema e que tem no acordo de Basileia 2 a regulamentação supostamente adequada, de requisitos adicionais de capital próprio nas instituições financeiras para suportar eventuais perdas. Estas preocupações têm exclusivamente como intuito a gestão de riscos operacionais que mitiguem riscos de fraudes e de falhas no sistema.

Com os produtos derivados as instituições financeiras só têm que disponibilizar uma parte do capital, que se designa por colateral, para cobrir a aposta. O tamanho deste colateral depende do rating atribuído ao crédito da instituição. Se a instituição entrar em dificuldades, o seu rating baixa, o que fará com que tenha que colocar mais colateral. É aqui que reside a causa da crise de liquidez que se verificou nos bancos. Na hipótese absurda de uma grande instituição falir o efeito dominó seria quase imediato. Impedir este absurdo é a razão pela qual os bancos centrais injectaram largas centenas de biliões no sistema e a razão pela qual os bancos se estão a capitalizar com dinheiro da Ásia e do Médio Oriente.

O sector financeiro é o mais regulado em toda a economia,  percebe-se com facilidade

que um problema que possa ocorrer numa pequena instituição não corre o risco de atingir o sistema e que, ao invés, um problema numa grande instituição pode ser transmitido ao sistema como um todo levando ao contágio para outros mercados e no limite, levando a economia ao colapso.

Temos tido nos últimos meses situações suficientemente complicadas para iniciar um processo de reflexão sobre este assunto de modo a evitar males maiores, até porque respeitáveis investigadores do LEAP/ E2020 (Laboratoire Européen d’Anticipation Politique) consideram que o sistema financeiro mundial poderá entrar em ruptura no ano de 2008.

Começemos pelos factos:

1- As maiores instituições mundiais fazem transacções de triliões fora dos mercados regulamentados, não são mais de milhões ou biliões. Só o Morgan Chase tem uma carteira de derivados de 43 triliões ou seja 1,5 vezes a riqueza total do mundo medida pelo PIB.

2- Essas transacções são agora transversais a toda a economia afectando as acções, obrigações fundos de investimento, imobiliário e produtos de consumo, fazendo com que estas transacções sejam difíceis de seguir e ainda mais difíceis de monitorar e controlar.

3- Estas operações são conhecidas por swaps, securitizações, produtos estruturados e derivativos que segundo o BIS ( Bank for International Settlements) atingiu um valor global de mais de 500 triliões, que estão a ser negociados fora dos mercados regulamentados.

4- Os derivados foram originalmente criados para protecção de posições mas podem ser também utilizados para fazer apostas altamente alavancadas. São instrumentos financeiros sem valor intrínseco para além do valor do subjacente que lhes dá origem.

5- O perigo está na sua dimensão e no facto de ninguém realmente perceber a totalidade dos seus contornos, como ficou agora bem demonstrado no caso dos subprimes. As agências de rating que avalizaram estes produtos com notações de pouco risco, reconhecem agora que a complexidade do produto não foi verdadeiramente avaliada.

6- Existem outros perigos como sendo o facto de serem produtos não cotados e de terem uma avaliação estimada, podendo ser extraviados ou colocados em sociedades fora do banco.

7- Um terço destes derivativos está concentrado em 3 grandes bancos Americanos,  Morgan Chase, Citigroup e Bank of America mas montantes não devidamente avaliados estão espalhados por hedge funds que não estão regulamentados, e ainda por simples sociedades que nem do sistema financeiro fazem parte, apesar de poderem ser ou não controladas por instituições financeiras. Todos se recordam ainda certamente do caso Enron e como a sua contabilidade foi alterada com os derivados.

8- As grandes instituições financeiras têm riscos escondidos que são quase impossíveis de identificar a menos que existam denuncias como no caso do BCP ou uma implosão como aconteceu com o subprime e os bancos americanos, ou ainda uma ”fraude” como aconteceu com o Banco Barings em 1995.

9- Um dos grandes mitos dos produtos derivados é que eles reduzem o risco quando na realidade o que acontece é uma transferência de risco para outra entidade.

10- As agências de rating são supostas analisar a capacidade creditícia das instituições. Recentemente alteraram o conceito na banca passando a dar ratings na probabilidade de default de uma instituição. Isto aconteceu desde que a Moody’s constatou que quando as grandes instituições entram em dificuldades os governos interferem para evitar problemas. Na base deste raciocínio aumentou o rating dos bancos, e o resultado é que o rating se tornou inútil para analisar o valor relativo. http://www.reuters.com/article/bondsNews/idUSL0224497720070402

11- Esta conjugação de assumpções de que:

– os bancos grandes não são problema,

– os derivados que tenham notas elevadas das agências de rating são seguros

– as agências de rating que notam os bancos e também os produtos dos bancos acreditam que os bancos centrais e os governos vão intervir sempre que existirem problemas

foi o que levou o sector financeiro e a sua crise à situação actual.

A conclusão inevitável é que existe um risco moral de que o sistema bancário possa adoptar práticas irresponsáveis porque comprovadamente os bancos centrais e os governos estão a fazer tudo para que o sistema financeiro não colapse.

http://www.grupolusofona.pt/portal/page?_pageid=674,1495294&_dad=portal&_schema=PORTAL

De acordo com o GEAB (Global Europe Anticipation Bulletin) a crise financeira vai transformar-se numa crise de muito maiores proporções com a implosão do mercado de Credit Default Swaps que afectará estruturalmente o sistema financeiro mundial. O problema está na divergência crescente de interesses económicos entre os diferentes componentes do sistema financeiro global. O perigo está na importância desproporcionada tomada pelo sector financeiro na economia contemporânea.

Esta importância desproporcionada parece ser a questão essencial que deverá ser discutida o mais rapidamente possível. Não é normal que se justifiquem montantes superiores a 12000 (doze mil) euros por razões ligadas ao branqueamento de capital e ao mesmo tempo instituições financeiras possam ter problemas internos no montante de biliões antes de ser detectados como aconteceu agora no caso da Société General. O crash de 1929 originou a separação da banca comercial da banca de investimento. A Banca do século 21 precisa de uma dimensão humana.

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