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Forex Trading: O que é, para que serve?

  • Forex Trading: O que é, para que serve?

A negociação em divisas, denominada por muitos como Forex Trading, é utilizada por muitos investidores particulares com dois propósitos:

  • Para especular, que consiste em contrair uma dívida na divisa que se prevê depreciar; aplicando depois esse empréstimo na divisa que se prevê apreciar. Iremos ver um exemplo mais adiante;
  • Para proteger uma posição aberta num instrumento financeiro denominado numa divisa distinta da divisa base de uma conta de corretagem; na prática, consiste em utilizar o mercado de Forex para eliminar o risco cambial de um dado investimento financeiro, seja de matérias-primas, acções ou ETFs. Iremos igualmente ver um exemplo mais adiante.

Um dos principais riscos da especulação em Forex, resulta da excessiva alavancagem financeira. Muitas vezes, um pequeno investidor “acerta em cheio” na direcção do preço de um determinado par cambial, no entanto, a excessiva alavancagem financeira provoca o encerramento da posição: salta um Stop ou a margem depositada é insuficiente.

No presente artigo, não iremos analisar técnicas de colocação de Stops, atendendo que é matéria para um Curso de Bolsa; no entanto, iremos analisar as regras de alavancagem financeira que se aplicam a investidores não profissionais, precisamente aqueles para os quais os reguladores, em particular o Europeu (ESMA), definiram regras particulares com o propósito da sua protecção.

Em meados de 2018, o regulador europeu – ESMA – definiu os seguintes requisitos de margem para a negociação em Forex, apenas aplicável aos investidores não profissionais:

  • 3,33% do valor nominal da posição para os pares cambiais que envolvam o dólar norte-americano (USD), o Euro (EUR), Iene japonês (JPY) , a Libra Esterlina (GPB), o Dólar canadiano (CAD) e o Franco suíço (CHF);
  • 5% do valor nominal da posição para os pares cambiais que não envolvam nenhuma das divisas indicadas no ponto anterior.

Outro aspecto da maior relevância é a impossibilidade de as perdas totais para todas as posições numa dada conta de corretagem não poderem exceder os fundos aí depositados – denominado protecção de saldo negativo.

Além disso, a corretora é obrigada a encerrar todas as posições abertas, sempre que o valor da conta seja igual ou inferior a 50% dos requisitos de margem.

Para melhor ilustrar, vamos socorrer-nos de um exemplo. Vamos supor que um dado investidor decide negociar o par cambial GBPEUR. Para tal, decide abrir uma conta de corretagem e realizar um depósito de 5 mil euros.

No momento 0, a cotação no mercado é a seguinte: 1,1082 (Bid) / 1,1084 (Ask); e decide abrir uma posição longa de 100 mil Libras Esterlinas no par cambial GBPEUR.

A evolução da situação pode ser observada na tabela.

Tabela 1

Pontos a destacar:

  • No momento da abertura da posição, o período 0 da tabela, a abertura da posição pelo investidor irá obrigar a corretora a reter 3 695 Euros dos 5 000 Euros existentes, a título de requisitos de margem da posição aberta; tal como explicado anteriormente, com as regras da ESMA, a corretora é obrigada a reter 3,33% a título de margem enquanto a posição está aberta, ou seja, 3 695 Euros (100 000 × 1,1084 × 3,33%);
  • A utilização de margem no momento da abertura da posição, o período 0 da tabela, era de 135%, ou seja, 5000 ÷3 695, correspondente ao rácio Valor de Conta vs. Requisitos de Margem; importa recordar que no momento em que a utilização de margem seja igual ou inferior a 50%, a corretora deverá fechar todas as posições abertas ao melhor preço disponível no mercado;
  • No período 1, como o investidor tem uma posição longa, a queda do preço é desfavorável à sua posição aberta; desta forma, tem uma perda potencial de -1 040 Euros ( 100 000 × (1,0980 – 1,1084)) Euros; em consequência, o rácio Valor de Conta vs. Requisitos de Margem degrada-se, passando a ser 107%;
  • No período 3, a evolução da cotação não é favorável ao investidor, com o rácio Valor de Conta vs. Requisitos de Margem em 60%; do período 3 para o período 4, a corretora deverá encerrar a posição, atendendo que o nível de 50% foi atingido ou rompido no sentido descendente. A execução nos 50% nunca está garantida, pois poderá existir um gap que impede tal execução, apenas deverá disparar a execução.

Vamos agora analisar a utilização do mercado de Forex para outros objectivos: proteger uma posição aberta num activo denominado numa divisa distinta da divisa base do investidor.

Para este efeito, iremos igualmente socorrer-nos de um exemplo; um dado investidor europeu decide abrir uma conta de corretagem e deposita 30 mil Euros.

Para simplificar, no momento 0, o período 0 da tabela 2, a taxa de câmbio do EURUSD é 1, ou seja, o par cambial encontra-se à paridade; posteriormente, no mesmo período, o investidor decide adquirir 100 acções da Microsoft que nesse momento estava a cotar a 220 USD por acção.

Vamos analisar a evolução na Tabela 2:

Tabela 2

Pontos a destacar:

  • No período 0, em que o investidor abriu a posição, podemos ver que a compra das acções da Microsoft na bolsa norte-americana foi liquidada na sua conta: os fundos existentes passaram de 30 mil para 6 mil Euros, em resultado do pagamento de 22 mil USDs, correspondentes a 22 mil EUR, atendendo que a cotação do par cambial EURUSD está a cotar à paridade (1 para 1);
  • No período 1, podemos observar que o EUR se apreciou frente ao USD, ou seja, agora são necessários 1,2 USD por um Euro; por outro lado, apesar de se registar um ganho em USD, as acções valem 23 mil USD em lugar de 22 mil USD, em EURs, o seu valor é menor: apenas 19 167 EURs, em resultado de um câmbio desfavorável;
  • O ganho em USD no segundo e terceiro períodos incrementou sem cessar, dada a subida da cotação do par cambial EURUSD; no entanto, tal como no momento 1, a degradação da taxa de câmbio, isto é, a valorização do EUR contra o USD, impôs uma perda ao investidor.

Para evitar estas perdas, a solução para este investidor seria abrir uma posição em Forex no momento da abertura da posição.

Neste caso, teria de abrir uma posição longa no par cambial EURUSD, corresponde ao investimento em USD que realizou na bolsa norte-americana: teria de abrir um longo de 22 mil EURs no par cambial EURUSD.

Passamos a listar os ganhos/perdas desta posição para os três perídos (ver Tabela 3):

Tabela 3

Pontos a destacar:

  • Os ganhos ou perdas em forex são calculados através da seguinte fórmula: Q × (Cotação – P Abertura), no caso de posições longas; ou Q × (P Abertura – cotação), no caso de posições curtas. O Q da fórmula corresponde à quantidade, P Abertura o preço de abertura da posição;
  • Ao abrir uma posição longa, o investidor está a beneficiar da apreciação do EUR frente ao USD, ou seja, da subida da cotação. No período 1, esses ganhos foram de 4 400 USD, que traduzidos a EURs, correspondem a 3 667 ( 4 400 ÷ 1,20) Euros;
  • No período 1, o valor das acções da Microsoft, medido em EURs, corresponde a 19 167 EURs, o que representa uma perda de 2833 Euros. Assim, globalmente, e tendo em conta a posição em Forex (+3 667 Euros) e a posição em acções da Microsoft (- 2 833 Euros), o investidor está a ganhar 834 EURs;
  • No período 3, podemos verificar que a posição em Forex assegura o ganho em USD; senão vejamos: 3000 USD dos ganhos correspondentes à mais-valia correspondem a 1875 Euros (3000 ÷ 1,60).

Em conclusão, associa-se muitas vezes o mercado de Forex exclusivamente à especulação financeira; no entanto, tal como demonstrado no exemplo anterior, podemos utilizar o Forex para eliminar o risco cambial associado a investimentos na bolsa de valores; onde, na maioria das vezes, as oportunidades se encontram em instrumentos financeiros denominados numa divisa distinta.

Por outro lado, com este artigo, também procurámos alertar o leitor das cautelas que deverá ter na gestão de margens das suas posições em Forex.

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