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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Factos e ilusões

Parece que o presidente Chinês Hu Jintao quando questionado sobre que opinião tinha relativamente à Revolução Francesa de 1789 respondeu que ainda era cedo para ajuizar sobre o tema.
Concorde-se ou não com Hu Jintao, que nos pode considerar  imaturos, vamos arriscar e reflectir sobre a crise iniciada em 2007.
Se bem me lembro… tudo começou com uma crise financeira que alastrou à economia real, transformando-se numa crise económica. Esta crise teve como consequência imediata a desvalorização da grande maioria dos activos financeiros e do imobiliário, levando em seguida ao aumento do desemprego.
Os governos decidiram então intervir para resgatar o sistema financeiro, mas com isso agravaram as contas publicas que já não estavam em bom estado, obrigando a uma inevitável subida de impostos, quer directos quer indirectos.
Mesmo assim, com um maior esforço de todos os contribuintes, a consequência é a crise soberana em todos os países ocidentais, apesar do enfoque neste momento estar só na Grécia, na Irlanda e em Portugal. E depois da soberania vem a crise social, já visível nos países em crise declarada.
Os mais atentos já perceberam, também, que nos Estados Unidos o programa de criação de dinheiro designado por QE2 foi um fracasso. Este programa acaba no final do Junho e o imobiliário não recuperou e o emprego também não. Em contrapartida, verdade seja dita, a bolsa valorizou quase 50%, permitindo pelo menos aos que têm poupanças no mercado não sofrerem. Infelizmente são poucos, muito poucos.
Ainda sobre a situação americana, não deixa de ser curioso que depois de imprimirem 100 mil milhões de dólares por mês para pagarem parte dos 150 mil milhões de défice que o governo tem mensalmente, o consigam fazer a taxas que estão a menos de 3% na dívida a 10 anos, os níveis mais baixos das últimas três gerações, apesar da inflação estar a 5% se considerarmos modelos de cálculo do ano 2000, (oficialmente é de 3,16%).
Estes são factos. Falemos agora de ilusões.
É uma ilusão neste momento afirmar que o emprego é um problema temporário por causa da crise. Não é! O desemprego é um problema estrutural e crónico.
É uma ilusão afirmar que a facilidade de acesso ao crédito vai resolver os problemas da economia. Não é! O crédito é que precisa de ser eliminado, pelo menos para montantes que sejam sustentáveis.
É uma ilusão pensar que a economia está a recuperar ou vai recuperar quando estamos dependentes de taxas de juro baixas e que não podem subir para que possa haver uma esperança de crescimento do PIB.
É uma ilusão pensar que os contribuintes vão continuar a pagar todos os aumentos de despesa criados pelo Estado, quando o modelo económico está a forçar o limite da sustentabilidade do Estado Social.
É uma ilusão pensar que a economia pode ter uma solução com base no modelo actual de crescimento perpétuo (nada é perpétuo), e continuado aumento dos níveis de vida sustentado no crédito.
Estas ilusões como todas as ilusões devem ser assumidas o mais rapidamente possível para que se possa pensar numa solução alternativa para o problema.
Uma ilusão é isso mesmo, uma ilusão.