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Esta democracia não é democrática

Uma das origens desta actual crise está no mal entendido criado pelos políticos e aceite pela sociedade de que podemos livrar-nos das recessões económicas, assim como o conceito de que a economia só pode viver em expansão. Ora, não podemos evitar o negativo e ficar só com o positivo. Isto é uma grande falácia, porque em economia o positivo e o negativo estão sempre juntos, tal como acontece com a noite e o dia. Aceitamos, com relutância, mas aceitamos que o dia é indissociável da noite, pois são dois aspectos da mesma energia.

A economia não é uma ciência exacta, pois que funciona na base de axiomas que se assumem por verdadeiros e que servem de regras para a nossa sociedade. Nesta mesma sociedade em que vivemos, na qual os Governos têm feito todos os esforços, uma vezes conscientemente outras não, para adulterar as regras da economia para beneficio da sociedade. Quando assim é, não têm qualquer sentimento de culpa, e sentem que prestaram um bom serviço à comunidade. A intenção é boa mas os resultados nem sempre. A política aborda sempre primeiro os extractos mais baixos, explorando a sua pobreza para aumentar o número de seguidores e isto é comum a todos os partidos. A democracia é um jogo de números, é nele que está o poder e é aí também que está a perversão. Quanto mais ignorância houver (e ela é comum na pobreza), mais convirá que haja. Ninguém está verdadeiramente interessado em tirar gente da pobreza, sobretudo a intelectual, mas tão só em aumentar o número dos seus cultores.

Os pobres e os ricos dependem uns dos outros, mais, atrevo-me a dizer que não podem existir uns sem os outros. Uma sociedade pobre economicamente é também uma sociedade pobre nos seus valores morais, e uma sociedade ainda que nova-rica continua normalmente empobrecida dos seus valores morais, enquanto que uma sociedade abastada tem consciência da sua pobreza interior e da sua insatisfação.

A gestão de um país padece pois destes problemas económicos e morais que se reflectem e são o reflexo dos seus próprios dirigentes.

Sem riqueza não existe forma de perceber a pobreza interna ou externa da sociedade. A prova disto está nas revoluções marxistas sempre promovidas pelos ricos ou abastados, os pobres são meros seguidores sem espiritualidade.

A democracia tem portanto um certo atractivo para os pobres, sendo que esta tem como objectivo elevar o nível de vida material dos pobres porque é o que pretendem e necessitam. Em termos económicos a sociedade hoje não é de esquerda ou de direita, é tão só uma sociedade que consome mais do que deveria, em função do seu rendimento e que continua a ser incentivada a fazê-lo.

Visto assim, a gestão de um país parece ser uma coisa complicada porque o esforço que tem sido feito ao longo dos anos nunca parece ser compensado. As pessoas não entendem o que é feito nem a forma como as coisas são feitas, porque não entendem o que é a economia baseada nos axiomas aceites.

Mas esta coisa complicada a que se chama economia de um país pode ser explicada de forma simples para que todos compreendam.A economia de um país é a mesma coisa que a economia de uma empresa. Na realidade, um país poderia e deveria ser identificado pela sigla SA. O governo é o seu conselho de administração e a moeda as suas acções. O valor das suas acções, a cotação da sua moeda. Por aqui já se pode perceber porque flutuam as moedas, flutuam porque estas, tal como as acções. oscilam ao sabor da oferta e da procura. Uma empresa tem um determinado capital social e quando precisa de mais dinheiro pode optar por pedir dinheiro emprestado ou emitir novas acções aumentando o seu capital. A primeira solução é prestada pelos bancos pois são eles que emprestam dinheiro, ou por aforradores (se subscreverem emissões de divida designadas por obrigações). A segunda função é também cumprida pelos aforradores mas estes, ao subscreverem capital, ficam com direito a votar as decisões que traçam o destino da empresa e assumem o risco daí resultante.

Num País, os cidadãos votantes podem ser considerados os accionistas da empresa País, porque elegem o governo ou seja o seu conselho de administração e assumem também o risco de nela colocarem ou não uma boa administração. Se um governo contrai divida está a empenhar todos os seus accionistas / eleitores, se o resultado de um orçamento proposto é deficitário isso quer dizer que o País / empresa vai dar prejuízo.

Se toda a gente entendesse esta explicação simples do que é o Estado de uma Nação, certamente que muita coisa seria diferente. Passaríamos a ter accionistas mais interessados pela vida das empresas ou cidadãos desinteressados das coisas do país, como o são agora relativamente às empresas.

As pessoas sabem que para haver emprego as empresas têm que dar lucro e para tal têm que ser bem geridas, caso contrário vão à falência e criam desemprego. As pessoas não têm empregos quando o custo do trabalho é mais elevado que o rendimento que dele se extrai. A consciência deste facto não se coloca quando se fala do que está relacionado com o Estado. A provar isso mesmo está o facto de o Estado nunca procurar o lucro e dar prejuízo ano após ano. Isto não poderia acontecer numa empresa privada. Por aqui já deve ser possível considerar paradoxal que as pessoas acreditem no Estado mais que em qualquer outra coisa, quando o Estado demonstra de forma consistente que não é capaz de gerir os seus assuntos de forma eficiente. Suponho que as pessoas devotem esta crença na segurança do Estado porque só o Estado pode mudar as regras do jogo a meio deste e porque isto acontece com frequência acreditam que o Estado tem outras regras.

Confesso que eu próprio fico perplexo quando empresas do Estado cronicamente deficitárias aumentam salários e fazem novos investimentos, desvirtuando aquilo que são as regras normais da economia. Pergunto-me porquê uma empresa privada tem que cumprir com as regras estatuídas, tem que dar lucro com o capital inicialmente constituído, cumprir com os seus impostos e com tudo o resto que lhe esteja relacionado se há empresas que não têm que o fazer? A razão é simplesmente porque assim está convencionado. Não se aceita que uma empresa privada não funcione fora das regras estabelecidas e aceita-se que empresas públicas ou organismos o possam fazer.

Pode-se perguntar então porque é que os Bancos Centrais, que são os responsáveis pela inflação, são os primeiros a chamar a atenção para os efeitos nocivos dessa inflação, dizendo que estão a actuar contra essa mesma inflação?

Porque a economia não é uma ciência exacta, como se disse e porque se chegou à conclusão que um pouco de inflação é essencial para o crescimento da economia desde que esteja sob controlo. É isso que fazem.

Existem dois tipos de inflação. Uma inflação de que ninguém gosta e que é aquela que faz aumentar o pão e o leite e uma inflação de que muita gente gosta, aquela que valoriza o preço das casas e das acções.

Em Portugal convive-se mal com o mercado. O Estado não promove o mercado como instrumento fundamental de financiamento da economia. O povo gosta das privatizações porque são feitas pelo Estado, uma garantia implícita, o Estado gosta das privatizações quando o mercado lhe é conveniente e pode vender a bom preço. Poucos percebem o argumento económico da operação vender ao melhor preço possível.

A Bolsa é um instrumento fundamental da economia. Se desce de forma acentuada e assim continua, isso é o sintoma de que algo vai mal na economia. Se uma empresa desce de forma acentuada e continua isso quer dizer que algo vai mal na empresa. A Bolsa funciona para a economia como a febre funciona para um paciente. Se existe febre existe infecção logo é preciso tratar.

O problema da nossa sociedade e da nossa economia é o nível do seu endividamento, o problema da economia mundial é o seu endividamento e seria bom ter consciência que foi graças aos níveis de endividamento que se conseguiram os níveis de crescimento das economias verificados nos últimos 15 anos. Tal como acontece no mundo das empresas o seu crescimento pode estar sustentado em capitais próprios ou no endividamento e é aqui que a porca torce o rabo porque o nível de endividamento não é adequado à estrutura de capitais próprios. A solução da crise de crédito que a economia mundial vive só será encontrada quando se substituir o endividamento por capitais próprios.

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