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Esperar o melhor mas estar preparado para o pior

‘’O El Mundo escreveu que os depositantes estavam a retirar o dinheiro do Bankia, o governo veio dizer que não’’, reportava o jornal “China Daily” que li no voo de Shenzen para Xangai.
Na Grécia, o mesmo está a acontecer desde 2009 mas, curiosamente, os bancos ali mantêm-se activos. Quem não se mantém são os políticos que implementaram a austeridade na Grécia. “Os votos foram dados aos partidos extremistas’’. Era outra notícia do mesmo jornal.

Enquanto lia estas notícias tomava consciência que os Estados Unidos já não são importantes na China, não são já o centro das atenções no que diz respeito às notícias, não se fala ainda de Obama ou de Romney, nem das suas políticas, nem tão pouco da sua economia. Já no que diz respeito aos aspectos culturais têm uma grande influência, que vai desde os hambúrgueres aos jeans, passando pelas vedetas pop. Isso mesmo é visível em Xangai e por todo o país. Xangai podia ser uma qualquer cidade importante americana, mas com mais carácter.
Cidade limpa, com pouco crime, é ainda uma metrópole que permite uma orientação fácil. Os seus habitantes têm uma espécie de resignação quanto ao crescimento que vêm todos os dias.
Pudong, o bairro financeiro, tem um PIB superior ao de muitos países. O preço do imobiliário, apesar de ter caído 10% neste último ano, é ainda proibitivo. A cidade tem muitos expatriados e grandes camadas da população com dinheiro novo, fruto do seu dinamismo. O curioso é que a grande maioria dos chineses tornam-se ricos à moda antiga, ou seja, gastando menos do que o que ganham.

Ainda sobre a China, não deixo de ficar admirado como é que um país dirigido por comunistas que não acreditam em mercados tem as maiores taxas de crescimento do mundo. Como é que um país que é dirigido pelo proletariado é o mesmo país em que os capitalistas fazem dinheiro. O que quer que seja que pense, a realidade é mais complicada e demonstra que as ideias políticas ou os ideais políticos estão ultrapassadas, que é o capital que controla o mundo e não a teoria politica.

A razão da minha visita a Xangai foi uma conferência sobre ETF, um produto que os chineses se preparam para lançar, bem como na  oportunidade de, graças ao nosso parceiro Dorsey Wright, sermos “advisers”  para a criação de um índice sobre o mercado de Xangai o que permitirá a criação de um ETF. Tom Dorsey foi um dos conferencistas.
Mas, desviei-me do essencial, que é o facto de a Europa ser o centro das atenções, agora um pouco por todo o mundo. Neste momento creio ser bom recordar que os comentadores e analistas da questão europeia podem dividir-se em dois grupos. Aqueles que acreditavam que já estávamos numa situação insustentável antes das eleições gregas, e os que pensavam que tanto a situação grega como a europeia já estavam resolvidas.

Para os mercados, parece óbvio ter sido uma surpresa, porque foi uma verdadeira corrida para as trincheiras, vendendo o que era possível vender e quase a qualquer preço.  Nos mercados, a percepção do risco continua a ser inversa às condições do próprio mercado. Com efeito, a subida que se verificara antes dava a entender que o risco implícito estava a diminuir cada vez mais o que, manifestamente, não era verdade.

Existe, todavia, uma  profunda evolução nos mercados. Nas décadas dos anos 70 e 80 as acções eram compradas pelos seus dividendos. Depois (anos 90), as acções já eram compradas porque se perspectivava um maior crescimento das empresas e, em consequência, que alguém viesse a comprar essas acções a um preço superior. Agora, as acções continuam a ser compradas porque se pensa que os bancos centrais vão continuar a injectar liquidez no sistema, para as não deixar cair.

De forma resumida, os mercados são um terreno de batalha onde, desesperadamente, se defende o sistema financeiro tal como o conhecemos mas, curiosamente, este sistema financeiro já não se baseia na perspectiva da futura obtenção de riqueza, como quando da sua criação, antes se baseia agora exclusivamente nos recursos dos bancos centrais.

É essa a razão que leva o dólar americano a valorizar-se em relação às outras moedas. Na realidade, um mero tipo de papel contra outros diferentes tipos de papel. O ouro, que é o genuíno antipapel, valorizou nos últimos dois dias, depois de, também ele, ter estado a desvalorizar como se de um papel-moeda se tratasse. Com o correr do tempo o ouro acabará por retomar a subida, porque a oferta de papel vai continuar a aumentar em todas as suas versões e provavelmente ainda com maior rapidez, crescendo muito mais que o PIB das diferentes zonas económicas. Também o endividamento continua a crescer mais que as economias. A única coisa que não cresce parece ser a quantidade de ouro explorado. Com o tempo já temos poucas dúvidas que o valor do papel-moeda vai continuar a descer em relação ao ouro. Como, quando e porquê, são respostas que estão reservadas para mais tarde.

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