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Em Vancouver a visitar ”junior mining companies”

Estive em Vancouver, no Canada, local que visitei pela primeira vez. A razão desta viagem prendeu-se com a visita a empresas do sector da energia e do sector mineiro cotadas na bolsa de Vancouver e conhecidas por ‘’junior mining companies’’, ou seja, com potencial mas com o risco inerente.
Vancouver foi, em 1986, palco da exposição mundial e mais recentemente dos Jogos Olímpicos de Inverno, mas a minha curiosidade vinha das inúmeras referências, sempre elogiosas, que lia e das que me eram transmitidas por familiares e amigos.
Comecei a escrever este artigo no avião de regresso, num voo da KLM para Amesterdão: apesar do tempo livre e dos jornais do dia que tinha disponíveis, a realidade é que não fui capaz de o acabar. A razão prendeu-se, certamente, com a desmotivação, fruto da dificuldade em encontrar em Vancouver tudo aquilo que li e ouvi dizer.
Apesar de ter tido a sorte de apanhar o Verão local (de 25 de Julho a 1 de Agosto), segundo me informou o taxista que me levava ao aeroporto com ar de gozo, a realidade é que tive dificuldades em arranjar motivos para o escrever. O Verão em Vancouver é mais agradável que o Verão em Nova Iorque dizia-me ele. É mais fresco e bastante mais curto, mas o Inverno é ainda melhor, porque tem mais neve e é mais longo (de Novembro a Março).
O taxista, de nome Henry, é actor e diz-me que Vancouver depois de Los Angeles e Nova Iorque é a cidade no continente americano com mais produções cinematográficas. Em Nova Iorque trabalhava num restaurante enquanto procurava oportunidades no cinema; em Vancouver é taxista enquanto procura as mesmas oportunidades. Em Outubro pensa tentar a sua sorte em Los Angeles. Pergunto-lhe se é mesmo mau actor ou se é uma questão de azar. Ri-se e confirma que é a pouca sorte.
O trajecto do hotel para o aeroporto leva normalmente meia hora mas o dia da partida coincide com o ”Gay Parade” e por essa razão levamos mais tempo. Questiono-lhe se Vancouver é conhecida por alguma coisa, ao que me responde “pelo preço altíssimo do imobiliário”. Não existem apartamentos na baixa da cidade  –‘’downtown’’  – por menos de um milhão de dólares, e logo me aponta um imóvel com vista para Victoria Bay que anuncia  vendas a partir de cinco milhões. Fico confuso porque não vejo o que pode levar uma pessoa a gastar cinco milhões para ter uma casa num sítio que tem uma semana de Verão, mas imagino que lá, como em todo o lado, as pessoas gostam de se mostrar importantes e ostentar o seu “status”.
Vancouver, capital do estado de British Columbia, é uma cidade com 128 anos, muito nova portanto, uma cidade sem passado e que, como tal, só pensa no futuro. Os seus habitantes são na sua esmagadora maioria todos imigrantes e uma grande parte oriunda da China.
E por falar na China, gostaria de lembrar que foram os chineses que inventaram o papel-moeda no início do século IX, e que talvez por essa razão também, são o grande motor do desenvolvimento da cidade. Os Chineses com dinheiro estão a espalhá-lo por diferentes partes do mundo, especialmente em Vancouver, no imobiliário, mas também nas leiloeiras e nas galerias de arte e em “private equity”. Os anglo-saxões de Vancouver têm outras especialidades, como os derivados a titularização (securitization), os produtos estruturados,  toda a panóplia de produtos que está a forçar os bancos centrais por todo o mundo a imprimir dinheiro para manter o sistema em funcionamento, e que permite uma continuada subida dos activos, tão útil para aqueles que têm dinheiro.
Vancouver é uma cidade com uma população globalizada, jovem e bem na vida. Estes novos cosmopolitas vivem onde se vive bem, raramente o sítio onde nasceram, e ajudam a transformar os locais onde habitam. Também é verdade que as cidades que os atraem são ricas e vibrantes em termos de desenvolvimento.
Durante a semana que ali vivi dois eventos reuniram a atenção da grande maioria dos seus habitantes, o “Gay Parade” de que já falei, e a festa da luz, um fogo de artifício. Estes factos demonstram que a população procura motivos para se distrair.
Aqui em Portugal os inúmeros festivais de musica de Verão procuram cumprir o mesmo objectivo, distrair o povo, ao mesmo tempo que alguns fazem dinheiro.

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