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Em busca da realidade

Adérito Antunes foi sempre um homem muito activo e um trabalhador incansável mas, quando chegou para o almoço que tinha marcado comigo, parecia que acabara de acordar. Amigo há mais de 30 anos, O Adérito é quem me prende à realidade deste mundo “faz de conta” em que vivemos, com quem de forma irregular, mas sempre próxima, me encontro para retomar a conversa deixada a meio, ou saber como vão as coisas na sua economia real.
Adérito sempre negociou em candeeiros que compra nas fábricas e vende nas lojas, um negócio que tem vindo a morrer desde o aparecimento das grandes superfícies.

Então o que se passa, pergunto-lhe eu, foi uma noite em grande ou são problemas dos grandes?

“Quero que tu me expliques, que raio se está a passar com os bancos, porque deixei de ter acesso ao crédito e não tardará muito estarei falido?”, deixou cair como se me tivesse visto duas horas antes.
Mas, Adérito, tu já estás a falir há 10 anos e é quase um milagre o teu negócio ainda estar vivo. Porquê essa surpresa agora?, respondo-lhe eu.

Porque agora ninguém me paga, os produtos não se vendem e eu já não posso pagar as despesas correntes, nem os empregados e o banco para compor o ramalhete diz que não me pode dar crédito.

Vamos lá ver então as coisas objectivamente. Primeiro identificar os problemas, depois a razão deles e em seguida sugerir a, ou as, soluções.
Vamos começar pela falta de crédito para continuares com a tua actividade. Quais são as razões do problema?
Se bem me recordo, quando começaram a abrir as grandes superfícies, disseste-me que as lojas logo começaram a comprar menos candeeiros. Passados poucos anos, já me dizias que, se não fosse o crédito concedido pelos bancos, não podias continuar no negócio. Sobretudo porque as lojas levavam até 6 meses a pagar-te as encomendas. Depois, tiveste que começar a mandar empregados embora para equilibrar os custos com as receitas. Além das duas lojas na região do Oeste que faliram e te deixaram um enorme calote.

De forma resumida, as razões do problema é que o modelo de negócio se alterou profundamente, os teus clientes entraram em dificuldades e começaram a desaparecer. Simultaneamente as tuas margens de lucro baixaram e o endividamento começou a aumentar. Estas são as verdadeiras razões do problema, não a falta de crédito. Estou certo?

São essas algumas das razões, diz-me o Adérito, mas a crise financeira é a grande responsável, especialmente os bancos. Todos dizem isso, os políticos repetem-no mas tu, que tens escrito umas coisas sobre o mundo financeiro, deves saber melhor que eu o que se passa. Por isso, explica-me!

Assim sendo, em vez das soluções para os teus problemas, preferes discutir as causas deles, sobre as quais não tens intervenção alguma?

Pois bem, vamos começar pelo final dos anos 90, do século passado, quando vivemos a época que ficou conhecida por “nova economia”, estás bem recordado? As empresas não precisavam então de apresentar resultados para obterem valorizações que só se justificavam na filosofia dessa denominada “nova economia”. Como bem sabes, essa época acabou com a reutilização do velho modelo, o que levou à falência milhares de empresas, incapazes de alguma vez virem a apresentar lucros.

Nos primeiros anos deste século, iniciámos a vivência de uma nova era de relacionamento com o crédito, a qual levou as instituições financeiras a pensar que haviam concebido um modelo que lhes permitiria conceder crédito ilimitado por tempo ilimitado Sabemos que isto resultou na crise actual, mas nessa altura não estavas preocupado com questões ligadas ao crédito porque tu próprio beneficiavas dele.

Actualmente, vivemos uma era em que os estados se propõem resolver os problemas dos seus cidadãos utilizando uma parte da política dos anos trinta, mais concretamente, os métodos de Keynes. Porém, mesmo que as medidas de 1930 se pudessem aplicar hoje, a realidade é que a economia de então só recuperou 10 anos depois da depressão, e para ser mais concreto, só depois da segunda guerra mundial. A realidade é que o mundo hoje não parece estar preparado para aceitar uma economia que vai levar dez anos para recuperar. Tu, muito claramente, não estás.
Existem vários problemas para os quais os políticos não mostram clarividência. O primeiro é que esta crise, como se tem repetido tantas e tantas vezes, não é uma crise com origem no imobiliário, mas o resultado do excesso de crédito, que se foi acumulando no sistema nos últimos 60 anos, período durante o qual o mundo viveu numa contínua expansão monetária.

Aquilo que uma crise deveria poder permitir fazer, seria purgar os excessos e isso não lhe está a ser permitido. Só assim se percebe que os políticos estejam a tentar que a economia retome nos mesmos moldes que originaram  o problema, ou seja,
tentando criar condições para que se incentivem as populações a consumir como dantes, evidentemente com o inevitável e necessário financiamento. Considerando que a origem do problema está e sempre esteve no excesso de crédito, no excesso de consumo e nos baixos níveis de poupança, espanta ver os políticos coligados na sua visão estrábica de que a cura está em mais crédito, mais consumo e menos poupança.

Em sentido figurado, é o mesmo que enviar um drogado em recuperação para um lugar ainda hoje conhecido por “Casal Ventoso”.

Agora que já está explicado o problema, podemos escolher o que vamos comer?

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