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De bolha em bolha até ao rebentamento final

Saimos da bolha do imobiliário e estamos agora na bolha das commodities e das matérias primas. Temos o trigo a niveis históricos, assim como os da soja, do milho, do carvão, do ferro, do petroleo, da platina, do paladium e os do ouro.

As matérias primas são o combustivel da economia. Se esta funciona a todo o vapor existe uma maior procura dessas matérias primas e o preço sobe, se entra em recessão existe menor procura e o preço desce. O ciclo dos produtos agricolas era mais simples. Se os preços subiam os agricultores encarregavam-se de aumentar a produção do produto que subia, porque lhes era mais vantajoso e o preço voltava a descer.

Leio os jornais, ouço as declarações dos governantes mundiais, acompanho os mercados como toda a gente o deveria fazer e a constatação óbvia é que este não é um periodo de crescimento para a economia mundial. Para nós, europeus, o crescimento da economia está dependente do que se passa nos Estados Unidos e aí todos sabemos como a situação está. Agora diz-se que pode beneficiar do que se passa no resto do mundo, (o famoso ”decoupling” de que agora se fala).  Antes as coisas eram bem mais simples, os Estados Unidos constipavam-se e o mundo apanhava uma pneumonia. Agora que a riqueza mundial está mais repartida, fala-se de ”decoupling” e da possibilidade da crise não se generalizar. Esta palavra (decoupling) lançada pelos grandes bancos de investimento americanos teve pelo menos o mérito de confundir a sensatez dos investidores, mas os dados recentes não confirmam este decoupling. O Japão, pela voz do seu governo, acaba de anunciar a possibilidade de arrefecimento da sua economia exportadora,  indubitavelmente um mau sinal. O Banco Mundial coloca o crescimento da China 2% abaixo do verificado em 2007 e o aumento das matérias primas não a ajudará, certamente, na manutenção da poltica de baixos preços dos produtos acabados. A India que tem sido o outro motor da globalização, está à espera de registar em 2008 o crescimento mais baixo dos últimos 3 anos.

O que poderá então sustentar e justificar esta subida das matérias primas se não for o crescimento global? Na minha opinião será a liquidez existente no sistema. Esta liquidez está a tornar-se um problema porque o dinheiro não pode estar parado, atendendo a que parado se está a desvalorizar. O ouro que é a a matéria prima que não tem uma utilidade industrial importante demonstra isso bem. A sua valorização só se justifica pelo aumento de moeda em circulação e da consequente e inevitável inflação .

A crise do sistema financeiro não é portanto uma crise de liquidez (apesar desta, momentâneamente, não ter circulado entre as instituições financeiras), porque os bancos centrais se têm encarregado de fornecer aquilo que elas necessitam. A intenção é boa, resolver situações      pontuais, a prática, porém é a canalização dos fundos para produtos especulativos. Primeiro a bolha da internet, depois a do imobiliário, agora a das matérias primas. A subida dos preços das matérias primas é históricamente sempre seguida de problemas.

É verdade que os problemas criados por este excesso de liquidez no mundo só agora se começam a fazer sentir. A crise do imbiliário não está concentrada nos Estados Unidos.A Espanha e o Reino Unido também já sofrem as consequências.Porém existem outros locais que têm crises, ainda não anunciadas. O Dubai, o novo ex-libris do jetset, tem zonas turisticas que parecem cenários de cinema. Palm Island está totalmente vendida e quase totalmente construida mas deserta. Ninguém lá vive. Não é sustentável.

Nos produtos agricolas é verdade que se justificam as subidas com o progressivo aumento da população mundial, com a falta de terras aráveis e a falta de água. Na Europa, pelo menos, estes argumentos não são verdadeiros problemas, como sabemos. A politica agrária europeia, até hà pouco, incentivava o “set aside” pagando para se terem terras em poisio. Outro argumento que talvez justifique algumas subidas é o biodiesel e o biofuel. Este mês tivemos a companhia aérea Virgen Atlantic a voar pela primeira vez com biocombustivel, creio que com um derivado de coco. Estou certo, no entanto, que o mundo estará “perdido do coco” se verdadeiramente acredita que o combustivel do futuro terá por base os produtos agricolas. Só acredita nisto quem acreditar que o facto de se pedir para não se sujarem toalhas nos hoteis é a melhor solução para o problema ecológico.

Independentemente da atenção que queiramos dar aos mercados financeiros, o importante é lembrar que o que se vê é apenas o reflexo de algo mais importante. Na realidade é o efeito e não a causa, é o sintoma e não a doença.

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