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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Crise ou não crise eis a questão

Se existe uma coisa boa que se pode retirar desta crise é certamente o facto de os países desenvolvidos compreenderem melhor agora os problemas económicos dos países subdesenvolvidos, e sobretudo compreenderem melhor os impactos das terapias habitualmente impostas pelo FMI quando chamado a intervir.

Por outras palavras, creio que esta crise está a dar um banho de humildade aos países desenvolvidos. Por países desenvolvidos entenda-se os países ricos, hoje por hoje os países mais endividados.

Entre os países desenvolvidos e mais endividados, pelo menos os Estados Unidos e o Reino Unido já não conseguem ocultar a sua preocupação relativamente ao risco de vir a sofrer inflação ou, pior ainda, hiperinflação.

Os Estados Unidos têm um défice fiscal que ronda os 12.8% do PIB e que não pode reduzir-se nas actuais condições do ciclo. Estes problemas fiscais traduzem-se numa divida pública de 100% do PIB o que aliado à crise coloca a prazo a moeda em risco.

É certamente a gravidade da situação que leva ao nível de desinformação existente neste momento, e é a consciência dos seus impactos que leva o CEO da Goldman Sachs a afirmar que está a fazer o trabalho de Deus, um trabalho de responsabilidade social.

Este ano 115 bancos abriram falência nos Estados Unidos, em 2008 foram 25 e em 2007 só 3. No entanto, para o grande público a crise já acabou ou está a acabar. Ainda recentemente o Hypo Real Estate, um dos principais bancos alemães, teve que ser totalmente nacionalizado. Nos Estados Unidos, o CIT o maior banco financiador das pequenas e médias empresas abriu falência depois de já ter recebido 3 mil milhões em auxílios. Não se pode ter a certeza que é impossível um novo Lehman Brothers. O CIT agora falido sem parangonas nos jornais é a 6ª maior falência bancária nos Estados Unidos.

Aparentemente os governos salvaram a humanidade do colapso, mas fomos salvos de quê, é a pergunta que faz agora uma pequena minoria. Não estão os governos muito mais endividados agora? Isso não era mau e mesmo crucial para um crescimento sustentado da economia? E as familias não estão piores?

O desemprego não está a taxas de 10%? Em Espanha não está nos 20%, é isto o resultado da operação salvar a economia, é assim que se salvou o mundo do ”flagelo” do desemprego?

A realidade é que muito pouco foi feito porque muito pouco se poderia fazer. De verdadeiramente palpável existe o salvamento dos grandes bancos, esses foram salvos sem alguma dúvida, e na esteira da operação de salvamento, ficaram com acesso a crédito a custo zero, juntaram um estatuto de intocável e aumentaram quota de mercado.

Os americanos empossaram um controlador geral do programa TARP (700 mil milhões disponiveis para a banca com necessidades) de seu nome Neil Barosfsky. São dele as seguintes palavras: ‘’A decisão do governo americano de suportar os bancos colocou a economia numa situação de risco agravado. Estes bancos, grandes demais para falir, são hoje ainda maiores, pelo que potencialmente o risco é maior hoje que há um ano.’’