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Creio que é isto que direi ao meu filho

Antes do Natal, vou ter que viajar até  Paris, Yerevan (na Arménia), Copenhaga, Madrid e, finalmente até  Santiago do Chile. Parte importante da  actividade da DIF Broker está centrada no estrangeiro e o seu negócio depende da exportação em 70%. Não temos direito a nenhum incentivo ou apoio do governo, porque só exportamos o nosso serviço e o nosso know how, mas também não quereríamos que fosse de outra forma.

O que o governo talvez não saiba ou disso não tenha noção,  é que procurar quota de mercado no estrangeiro custa dinheiro (os teóricos dizem que é importante que os empresários portugueses façam um esforço de investimento na sua internacionalização, mas depois esquecem-se que este investimento nem sequer é dedutível). Sobre os custos das estadias incide tributação autónoma, tal como sobre as despesas de representação. Já os  espanhóis não têm o mesmo problema pois, qualquer gasto de representação no exterior é dedutível nos impostos, além de que dispõem de viagens mais baratas. Se  vier a Lisboa. em negócios, um espanhol despende 80 euros em média. Um Português se voar com milhas para Madrid, paga, só  em taxas, quase isso. Mas não é sobre impostos ou competitividade que vos quero falar hoje.

No meio das muitas milhas coleccionadas ao longo do ano em viagens de trabalho, não tive, sequer,  oportunidade de visitar o meu filho (a viver em Londres onde está a estudar e a trabalhar). A última vez que o visitei foi há mais de um ano. Vive num apartamento com 3  colegas,  num bairro predominantemente habitado por gente do Bangladesh, por isso  mais acessível em termos económicos. Ainda aí reside porque, como na altura me disse, é um sitio muito melhor que aquele em que residia anteriormente, apesar de ser difícil de crer. O apartamento está decrépito,  a rua parece ser uma réplica da Londres de 1950, ocupada por estrangeiros, mas pelo preço de 2000 libras, dividido por 4 ocupantes, o meu filho acredita que encontrou uma pechincha. E como posso  eu dizer-lhe o contrário?

Ele  está a fazer um mestrado em psicoterapia depois de ter conseguido uma licenciatura em ciências do desporto enquanto trabalha numa empresa de catering para eventos promocionais, simultaneamente procurando o êxito como cantor/compositor.
Como habitualmente,  deverá  passar o Natal em Portugal para ver a família e chega a Lisboa  no dia 17, ( um dia antes do fim do meu périplo) três dias depois de fazer 25 anos.
Tenho este ano a intenção de lhe perguntar pela primeira vez, ao fim de um quarto de século,  como o poderei ajudar.

Sinto que nunca tive muito jeito no meu papel parental,  mas agora será uma conversa de adultos e nisso costumo sentir-me mais à vontade. Aquilo  que lhe direi será mais ou menos o que digo aos meus colaboradores, que só há 3 decisões importantes que se tomam na vida: o que fazemos, o que fazemos com o que fazemos e onde o fazemos. Imagino que vai recusar  qualquer tipo de ajuda, porque sempre procurou fazer as coisas de modo próprio, pensando pela sua cabeça mas é possível que, face à crise generalizada, tenha algumas dúvidas. Muita gente se sente neste momento pouco produtiva naquilo que faz, são coisas que a maioria dos jovens por maioria de razões devem sentir, imagino eu. É por isso importante que ele saiba que se aprende a ser produtivo e que isso não acontece na universidade, mas quando se está  inserido no mercado do trabalho.

O meu filho acredita na sua musica e eu acredito nele, mas sei que aquilo que escolheu fazer no futuro é certamente das actividades mais competitivas neste século, a avaliar pelo que me  foi dito por um fulano que conheci nestas minhas andanças e que parecia estar inserido no meio. Segundo ele, primeiro produz-se um disco e procura-se a maior distribuição possível para se tornar conhecido, depois produz-se outro,  faz-se o mesmo e depois outro e outro até que alguém importante no negócio repare no trabalho feito e lhe permita chegar a outro patamar, ou seja um patamar em que seja capaz de viver daquilo que produz.

Sou criticado regularmente em casa por ver as coisas sempre por um prisma económico, mas não consigo ver outro. Só se pode fazer crescer um negócio se for possível fazer crescer os resultados da empresa e se isso não acontece só existe uma de duas soluções ou o fecho ou a fusão com uma empresa mais capaz. No seu caso a sua musica ainda não apresenta resultados financeiros porque ainda está na fase de investimento, mas não é diferente de qualquer outro negócio. Malcolm Gladwell diz no seu livro ‘’outlayers’’ que são necessárias 10.000 horas de treino para sermos bons naquilo que fazemos, mas são precisas horas de paixão por aquilo que se faz e  não horas de castigo para picar o ponto.

Não temos controlo sobre as circunstancias em que nascemos. A algumas pessoas sai-lhes a lotaria no momento em que nascem se o acontecimento se der no seio de famílias abastadas, educadas e em países cheios de oportunidades. Outros não . A revista Economist publicou um artigo sobre quais os países mais favoráveis para as crianças nascidas em 2013 terem uma vida mais próspera. Depois compararam com os dados publicados em 1988. Há 25 anos as crianças nascidas em Inglaterra em França Alemanha Itália Japão ou Estados Unidos estavam no top 10. No estudo actual Alemanha e Estados Unidos estão na 16º posição. Japão França e Inglaterra estão em 25º, 26º e 27º lugar. Tudo muda,  nada é imutável e isso quer dizer que o mais importante é olhar o futuro com realismo e coragem para que se possam ter as melhores oportunidades.
Creio que é isto que lhe direi e espero que isso o ajude!

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