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Como Investir Na Bolsa Em 2021

  • Como Investir Na Bolsa Em 2021

Estamos a aproximar-nos do final de 2020, um ano muito especial: pandemias, eleições presidenciais norte-americanas, crash da bolsa de valores, durante os meses de Março e Abril, subida exponencial do Bitcoin e empresas tecnológicas.

A pergunta que agora se coloca é a seguinte: como investir na bolsa em 2021?

Para tentarmos estabelecer cenários para o próximo ano, importa, em primeiro lugar, realizar um balanço do que se passou em 2020, em particular até à sessão bolsista do último 20 de Novembro, no momento aproximado em que escrevo o presente artigo.

Iniciando a nossa análise ao mercado de Forex quer conhecer? Ler o artigo: Forex o que é -, tal como já sobredito, a divisa estrela do ano foi, sem margem para dúvidas, o Bitcoin, a criptomoeda mais reconhecida do planeta.

No presente ano subiu 160% aproximadamente. A Prata e o Ouro também se destacaram, no entanto, nas últimas sessões estão a sofrer uma importante correcção – a preferência pelo “Ouro Digital”, em lugar do Ouro, parece estar a convencer os investidores que procuram uma reserva de valor e proteger-se da enorme inflação criada pelos bancos centrais.

Figura 1

Como podemos observar na Figura 2, o Bitcoin encontra-se numa tendência ascendente desde o final de 2018, acelerando em 2020, em especial após os estímulos monetários lançados pelos bancos centrais em Março e Abril para “mitigar” a crise Covid-19.

No presente momento, caso rompa o anterior máximo histórico, em torno dos 20 mil USD, irá despoletar, seguramente, novas valorizações expressivas. Caso contrário, ocorrerá um duplo topo, o que significa uma figura de reversão de tendência.

Desta forma, as próximas semanas, até ao final do presente ano, serão determinantes para a evolução do preço em 2021 – a barreira dos 20 mil USD por Bitcoin é de extrema importância.

Figura 2

No que respeita às matérias-primas, destacamos, em primeiro lugar, que, ao contrário do propagado pelos bancos centrais, as políticas monetárias adoptadas até ao momento, isto é, imprimir dinheiro para comprar dívida emitida pelos estados e grandes empresas cotadas em bolsa, começam a gerar inflação para além do mercado accionista – começamos a assistir a subidas expressivas para muitos dos bens essenciais das populações.

Em 2020, as matérias-primas em destaque são: a Madeira, que subiu 56%, o Sumo de Laranja, que subiu 32%, e a Soja, com uma subida de 25%.

O Petróleo (wti) destaca-se pela negativa, com uma queda de 31%, devendo-se essencialmente ao impacto da crise Covid-19; esta reduziu drasticamente o consumo de combustíveis fósseis, obliterando a indústria do turismo e diminuído expressivamente a circulação de automóveis.

Figura 3

A Madeira, a matéria-prima que subiu 56% no presente ano, encontra-se numa tendência ascendente desde 2009; este ano, registou uma subida meteórica e também uma correcção significativa durante o Verão; presentemente, caso rompa e supere a região dos 600 USD, poderá iniciar-se uma nova tendência ascendente, provavelmente com uma inclinação mais acentuada.

Figura 4

Na Figura 5, temos o desempenho dos principais índices bolsistas mundiais. Uma vez mais, o NASDAQ 100, o índice tecnológico que compreende as 100 empresas mais importantes do sector, é o que apresenta o melhor desempenho dos demais: teve uma subida de 36% entre o final de 2019 e Novembro de 2020.

As empresas constituintes do índice NASDAQ 100 beneficiaram dos confinamentos decretados pelos governos, que causaram o fecho de pequenos retalhistas, em benefício de grandes empresas com capacidade de distribuição online.

O IBEX 35 tem o pior desempenho, logo seguido do índice português, o índice PSI 20. Ambos índices estão dependentes de empresas que actuam em sectores tradicionais, como a banca de retalho e a distribuição tradicional, dependente de pontos de distribuição onde exista contacto físico com o consumidor final.

Figura 5

O NASDAQ 100 encontra-se em tendência ascendente desde 2009 (ver Figura 6); com o decorrer do tempo, a inclinação da tendência é cada vez mais acentuada; presentemente, a linha de tendência é muito inclinada, iniciada após o “crash” de Março/Abril, com o máximo de Janeiro a ser rompido de imediato no final de Abril, revelando a “força” ascendente deste índice bolsista.

Em Agosto, registou um novo máximo: 12 111 pontos (fecho mensal); seguidamente registou-se uma correcção até às eleições presidenciais nos EUA; com a vitória de Biden, o índice voltou a subir e poderá romper, uma vez mais, o anterior máximo.

Este índice está a tornar-se uma espécie de reserva de valor, com os investidores a procurarem “portos seguros” em empresas como a Netflix, Alphabet, Apple, Amazon e Tesla.

Figura 6

A mudança de administração nos EUA, apesar do candidato vencedor indicar que iria implementar um enorme aumento de impostos, não significou qualquer impacto negativo na bolsa de valores norte-americana, em particular nos seus índices tecnológicos.

À data que escrevo, tanto o índice DOW 30, como o sp500, realizaram novos máximos históricos; o primeiro superou os 30 mil pontos, um novo máximo histórico, enquanto o segundo fechou na sessão de 24 de Novembro nos 3 635,41 pontos, igualmente um máximo histórico.

Os investidores esperam estímulos monetários sem fim por parte da Reserva Federal, o banco central norte-americano, visando perpetuar um endividamento sem paralelo do estado federal e grandes empresas cotadas – com o propósito de financiar buybacks.

Toda esta liquidez, proveniente de estímulos monetários, continuará a servir para alimentar uma euforia bolsista sem fim. Desde Março 2009, um mínimo importante, assistimos à mais longa tendência ascendente da história das bolsas de valores, alimentada pela inflação dos grandes bancos centrais.

Tal inflação tem gerado uma subida imparável da maioria das cotações, em particular das empresas do sector tecnológico.

Julgo que ainda não vimos nada, atendendo à euforia que o mercado está a viver presentemente.

Se analisarmos 1829 empresas constituintes dos índices NASDAQ 100, HSI 50, AEX 25, STOXX 600, DOW 30, DAX 30, S&P 500, FTSE 100, CAC 40, IBEX 35, NIKKEI 225 e PSI 20, e tendo em conta a rendibilidade média entre o final de 2019 e a sessão do último dia 20 de Novembro, podemos concluir que existem importantes divergências entre esta e o desempenho do índice bolsista (ver Figura 7).

Por exemplo, a rendibilidade média das 94 empresas constituintes do índice NASDAQ 100 é de 45%, enquanto a do índice – rendibilidade ponderada pelo peso da capitalização bolsista – é de apenas 36,3%; assim, para este índice a divergência é positiva: tal significa que o seu desempenho não está dependente de um grupo restrito de empresas, a euforia ocorre para a maioria das empresas.

Tal não acontece para o índice japonês, o NIKKEI 225, que subiu 7,9%, enquanto a média da rendibilidade das empresas que o compõem é de -8,4%; tal significa que o índice está a ser “empurrado” por um grupo pequeno de empresas, por conseguinte, a consistência e a solidez do desempenho do índice é menor.

Figura 7

Se desagregarmos este grupo de empresas por sector, podemos observar na Figura 8 que os sectores tecnológico e da saúde beneficiaram imenso com a a crise Covid 19.

Ao mesmo tempo que assistimos à desgraça de milhares de pequenos negócios, fruto de confinamentos e limitações à capacidade instalada e horário de funcionamento, as grandes empresas cotadas prosperam e sobem em bolsa como nunca visto até então.

A média da subida das empresas do sector tecnológico e de cuidados de saúde, no presente ano, foi de 24% e 21%, respectivamente. O sector das energias tradicionais, como os combustíveis fósseis, está a sofrer quedas em bolsa significativas. A queda média foi superior a 30%.

Figura 8

Para se ter uma ideia da “loucura” especulativa que perpassa os principais mercados financeiros do mundo, podemos analisar as maiores subidas das empresas constituintes dos índices anteriormente indicados apenas do sector tecnológico; para o sector energético, as maiores quedas.

Podemos observar esta listagem na Figura 9.

Figura 9

A empresa Zoom, que possui uma tecnologia ímpar para reuniões e webinars online, tem beneficiado, e muito, com o “Novo Normal”: este ano sobe 546%!

Realcemos igualmente que na ordenação decrescente das maiores subidas de empresas tecnológicas aparecem empresas da bolsa de Hong Kong e da Suécia (Sinch AB). As empresas chinesas começam a impor-se em bolsa – a muito conhecida Xiaomi sobe 156%.

Pelo lado negativo, temos empresas do sector energético que apresentaram expressivas quedas em bolsa: todas cotadas nos mercados norte-americanos. O destaque pela negativa vai para a empresa Occidental Petroleum, com uma queda próxima de 70% no presente ano.

Na Figura 10, podemos observar o gráfico com a evolução da cotação da empresa chinesa Xiaomi. No presente ano superou o anterior máximo, em torno a 22 HKD, e encontra-se numa tendência ascendente acentuada desde Abril do presente ano.

Neste momento, não há limites para a subida a que podemos assistir, atendendo que rompeu todos os anteriores máximos.

Figura 10

Em relação à empresa Occidental, será muito importante analisar a evolução da cotação em relação à linha de tendência descendente.

Se o Petróleo continuar a recuperar, como tem sucedido nas últimas sessões, podemos assistir ao rompimento desta tendência descendente; caso contrário, poderá a ser uma oportunidade para abrir um curto.

Figura 11

A realidade é esta: enquanto o mundo continua a discutir a máscara, os confinamentos, os rastreios, as medidas restritivas, as bolsas de valores continuam a proporcionar enormes oportunidades de investimento.

Em 2021, é provável que voltemos a assistir a novos máximos históricos, atendendo à reacção dos mercados nas últimas sessões, depois do anúncio de vacinas e novos estímulos fiscais e monetários da nova administração.

O simples anúncio de Janet Yellen como secretária do tesouro da nova administração Biden gerou uma enorme euforia – tratava-se da ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, responsável por muitos dos estímulos monetários que ocorreram há anos, que igualmente apoiou estímulos monetários fiscais – dívida e défices sem fim à vista são sempre fantásticos para esta senhora!

O mercado adora decisores públicos deste calibre, pois é seguro que a festa está muito longe de terminar.

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