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As pessoas parece que gostam de ser enganadas

Recebi recentemente um email de alguém que fazia depender o seu desejo de ser incluído no número dos nossos clientes das respostas a duas pequenas questões. A primeira, qual era a percentagem de risco? A segunda, qual a percentagem de ganhos médios por mês?

Foi com surpresa que li a mensagem porque pensava que, depois de todos os abalos no sistema financeiro, da crise que vivemos já amplamente diagnosticada, fosse perceptível para toda a gente que o risco é inversamente proporcional aos resultados esperados. Fica respondida a primeira questão.
A segunda pergunta sobre a percentagem de ganhos por mês merece mais comentários.  É verdade que esta indústria está repleta de promessas de resultados imediatos e de garantias que nunca serão cumpridas, porque essa é, justamente, a natureza de um monstro chamado indústria financeira. Mas atendendo aos recentes factos deixou-me, porém, ainda mais perplexo, porque pensei que todos já teriam percebido que, como diz o ditado, quando a esmola é grande o pobre desconfia, e por maioria de razões o investidor deveria desconfiar.

Foi Hitler que em 1925 no seu livro Mein Kampf escreveu o princípio cardinal da propaganda nazi: ”As massas serão mais facilmente vítimas de uma grande mentira que de uma pequena”, e isto é ainda válido nos dias de hoje. Se assim não fosse, ninguém faria este tipo de pergunta.

As pessoas acreditam no que querem acreditar, quando têm que acreditar. No que diz respeito aos investimentos acontece, não por acaso,  geralmente nos períodos mais críticos das suas vidas. A falta de dinheiro torna as pessoas mais receptivas a soluções mais milagreiras. Não admira, por isso, que os menos sérios tenham mais sucesso. As pessoas parecem gostar de ser enganadas; preferem uma taxa elevada com base num contrato que não se consegue ler, pois é impresso de forma a não ser lido, a uma gestão transparente que fale em risco. Preferem remunerações do tipo Madoff sem saberem como as coisas são feitas, a uma gestão mais transparente sujeita aos riscos do mercado. Adoram comprar obrigações com fórmulas matemáticas complicadas, mas cujo atractivo é uma taxa de juro elevada, SE, por exemplo, forem amortizadas prematuramente. Adoram que a ênfase seja dada na taxa e não no SE.  As pessoas adoram bancos que oferecem custos zero, spread zero, e tudo o que for zero e depois pagarem o que lhes pedirem que é o que assumiram no contrato assinado. Sim, as pessoas adoram ser enganadas. Pagar assim parece-lhes muito melhor que pagar um preço justo por um serviço efectivamente percebido, justificado e útil.

As pessoas adoram ser enganadas, só assim se percebe que possam chegar a acreditar que podem ter serviços financeiros gratuitos.

Uma abordagem diferente que tenha como enfoque a não existência de milagres mas uma abordagem sistemática e disciplinada, mas sem bola de cristal, não tem atractivo, apesar de ser a verdadeira.

O cliente em questão, depois de elucidado sobre o aqui exposto, informou ter sido abordado para colocar dinheiro numa conta Forex com ganhos mensais garantidos. A empresa, com sede no Panamá e site na internet, prometia ainda uma comissão a quem trouxesse mais clientes. Independentemente das explicações, o que este potencial cliente queria saber era se éramos ou não capazes de apresentar uma melhor proposta e tudo o que estivesse a dizer-lhe não era muito relevante.

Ainda tentei explicar-lhe que o Forex é um mercado de soma zero, porque para que haja um vencedor tem forçosamente que haver um perdedor. Com efeito, no par de moedas negociado, para que uma moeda se valorize a outra tem que desvalorizar, pelo que apesar da protecção que a negociação em moedas pode dar nos ciclos económicos o risco não pode ser eliminado e é diferente para todos os investidores. A verdade é que a negociação activa de qualquer instrumento origina “tardes” que dão lugar a perdas. Quem disser outra coisa só pode estar a mentir ou então nunca negociou com dinheiro real em mercados reais. Esta é a razão pela qual a gestão das perdas é provavelmente o factor mais importante na negociação em Forex.

Jesse Livermore, um dos mais importantes investidores da história, diz no seu livro ”Reminiscence of a stock operator” que o mais importante antes de entrar num “trade” é saber quanto se pode perder e não quanto se pode ganhar.

Ninguém parece no entanto gostar de ouvir este tipo de argumentos; ninguém gosta de ouvir dizer que nunca se sabe o que vai acontecer nos mercados; ninguém gosta de ouvir que para ganhar dinheiro nos mercados é necessário consistência e disciplina.

As pessoas adoram ser enganadas, só assim se percebe que possam acreditar que investir é sinónimo de ganhos garantidos e sistematicamente prefiram as promessas extravagantes aos alertas de seriedade realística

Se mesmo assim não fui capaz de esclarecer os mais temerários evitando que ponham dinheiro nessas “promessas garantidas” então, mal por mal, é melhor colocar só os 6 euros no sistema ponzi que circula na internet com o titulo de ”Fantástico sistema de ajuda mútua entre pessoas”. Mal por mal não podem perder mais que esse montante e sempre ajudam outros mais espertos.

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