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Ararat

Estava a pensar na Igreja de São Francisco no Porto quando falava com o responsável da empresa russa GeoPromining Gold, que explora as minas de ouro em Zod e Ararat na Arménia. Dizia-me ele que a produção anual era de 1200 kg, toda exportada para o Canada, e que empregavam 1000 pessoas das quais cerca de 600 só nas minas. A razão pela qual pensava na Igreja de São Francisco é que diz-se que no seu interior estão cerca de 450 kg em ornamentos, ou seja o equivalente a cerca de 4 meses de produção da Arménia.

Pergunto-me quanto tempo foi necessário aos portugueses no século XVIII para retirar 450 kg de ouro e quantas pessoas foram necessárias. Este tipo de comparações diz-nos pouco de como as coisas deveriam ser mas dizem muito sobre como são. Em particular, diz-nos o esforço e o tempo que é necessário para obter os mesmos rendimentos. As matérias-primas são cada vez mais escassas no século XXI, o número de pessoas no mundo cada vez maior, existe aqui uma situação complexa que tem prognóstico reservado.

Na Arménia, o seu maior activo está, segundo os arménios, na sua herança cultural. Há 2000 anos a Arménia era um vasto reino que ia do Mar Negro ao Mar Cáspio, foi o primeiro Estado a adoptar o Cristianismo como religião, muito antes de Roma, estão na origem da raça Ariana e são responsáveis pela identificação dos brancos como Caucasianos.

Hoje, a Arménia não tira benefícios da sua história.
O país tem pouco mais de três milhões de habitantes e quase o dobro espalhados pelo mundo, um número impressionante que prova que a Arménia não tem o monopólio das oportunidades.
Portugal conheceu esta situação ao longo da sua história e tem agora novamente cidadãos que procuram em outros locais as oportunidades que não têm no seu país. A referência máxima para esta população arménia está na Montanha Ararat referida na Bíblia como o local em que a Arca de Noé parou em território arménio, mas que hoje está em território turco.

Apesar disso, ou talvez por isso, quase tudo na Arménia faz referência a Ararat. Pode-se comer em restaurantes de nome Ararat, beber cerveja Ararat, ou sumos Ararat, frequentar cinemas Ararat, levantar dinheiro no Banco Ararat, chamar por homens de nome Ararat, visitar a cidade Ararat e acabar o dia com um conhaque Ararat. Mas faz tudo parte da mesma empresa? Pergunto eu. “Não”, responde o meu interlocutor, um profissional do mercado de capitais. “São tudo empresas diferentes, só na Bolsa existem duas empresas de nome Ararat.”

“Mas não é confuso insisto eu, tanto Ararat?”
“Não, de modo algum”, responde o meu interlocutor. “Ararat é uma palavra do domínio público, o que diferencia é o resto, as cervejas, o conhaque, etc. não há confusão alguma.”

Dou por mim a pensar que quem fica confundido não tem nada que estar na Arménia. Confusão deveriam ter todos os que trabalham pelo menos 8 horas ao dia a tentar poupar dinheiro, ouvir os políticos dizer que a solução é os Bancos Centrais imprimirem dinheiro.
O dinheiro representa o tempo e o esforço que cada um de nós coloca para poupar, talvez, 100.000 euros ao fim de alguns muitos anos. Aqui sim deveria haver confusão, mas aparentemente não, quando se lê que o Banco Central criou mais X milhares de milhões.

Então o comum dos mortais tem que trabalhar e esperar o tempo que for necessário para ter uma poupança e os bancos centrais só têm que criar dinheiro, não é necessário tempo ou esforço?

Outra situação que me confunde é a que se vive em França com o governo a ameaçar nacionalizar a siderúrgica Florange pertencente ao grupo privado Arcelor Mittal. É difícil não ficar confundido que no país da liberdade, igualdade e fraternidade se possa arbitrariamente ameaçar nacionalizar violando o princípio sagrado do direito à propriedade.

A Europa está a perder os seus valores, a grande Europa parece querer seguir o caminho da antiga grande Arménia e caminhar para uma pequena Europa de valores em que no século XXI se ameaça tranquilamente expropriar um industrial que pensava estar protegido por um Estado de direito, no que deveria ser muito diferente de um país do terceiro mundo, para aparentemente vender Florange a um outro industrial alegadamente melhor.

Se isto se concretizar, fica aberto um precedente que se pode tornar moda, e fica ainda mais incentivado o caminho para o investimento nos países emergentes. Este risco de nacionalização ou simples ocupação é quase permanente em alguns países emergentes, que ficam agora ao nível de países como a França e outros europeus, visto não ter havido nenhuma condenação formal.

Olhando melhor para a Arménia, o país que saíu da órbita da USSR em 1991 e que facilmente se podia imaginar uma sociedade subjugada aos planos da centralização impostos pelos Soviéticos, quase ‘’escravizada’’ quando comparada com a Europa, um espaço de liberdade, vê-se que aprendeu que a planificação do Estado não é uma solução viável.
Pois bem-vindos à Europa de 2012, a ampla zona livre de planificação central!

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