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Alentejo e petróleo

O Alentejo é o meu refúgio de fim de semana. Um refúgio onde me deixo embalar pelos meus pensamentos, mas onde aproveito também para fazer algum exercício físico.
Os dias no Alentejo não são, assim, apenas dias de meditação. Quando ali chego, uma das minha primeiras tarefas é ligar o corta-relvas, não sem antes garantir que o depósito de combustível está cheio. Cortado o relvado, pego na roçadora para os retoques finais . Convém salientar que nunca estou sozinho nestas actividades, pois o meu amigo Jorge faz-me companhia e é solidário comigo nas mesmas tarefas. Não falamos, dado que o barulho é muito e a atenção necessária. Por isso, estou como que simultaneamente só e acompanhado.
Curioso é como uma actividade do sector primário, a actividade da terra, está tão ligada à indústria de extracção do petróleo. Mais ainda, tudo o que está relacionado com a nossa vida tem uma ligação estreita ao petróleo e às energias fósseis. Dou comigo a pensar nas máquinas agrícolas que precisam de petróleo, o transporte dos produtos agrícolas carece de petróleo, os adubos não se fazem sem petróleo, as regas precisam de petróleo, quase tudo exige o petróleo, mas todos gostamos de pensar que é ecológico e saudável estar ligado à terra, além de estar na moda. Penso sempre o mesmo cada fim de semana como se fosse um disco riscado, porque penso na possibilidade de me reinventar e dedicar à terra. Porém o retorno à realidade faz-me pensar que seria capaz de dali não retirar a rendibilidade suficiente “para o petróleo”.
Este pensamento é o meu bilhete de regresso à realidade da minha vida, aos mercados e aos investimentos no sector petrolífero. Não posso dedicar-me à terra mas posso investir nas energias fósseis.
Depois dos aqui referidos “trabalhos forçados”, os jornais e os livros preenchem o resto do meu tempo de ócio.
Continuo perplexo com a facilidade com que se continua a confundir esta crise que vivemos com factores políticos. A verdade é que todas as crises económicas têm como causa subjacente o excesso do crédito. O endividamento médio dos países que compõem o G20 é, neste momento, de 100% do PIB e o nível de crescimento actual no mundo, bem como o que pode prever-se num futuro próximo, não garantem o serviço da dívida, ainda muito menos a sua amortização. Quantas reuniões e declarações políticas vão ser necessárias para se assumir esta realidade?
Leio também com frequência que os governos têm planos para criar emprego e recordo os 150.000 empregos que o anterior primeiro-ministro Sócrates prometeu bem como o milhão que o Presidente Obama disse que iria criar, numa semana em que nos Estados Unidos – parece que, pela primeira vez –,  não foi criado durante um mês, nenhum emprego . Inglório quando se pensa no esforço que os governos aparentemente fazem. Mas será que fazem? Como é que os governos podem saber “à priori” que tipo de trabalho deve ser criado e a que preço e em que sectores da economia? Não será que aqueles que efectivamente criam o fazem à custa de outros tantos?
Numa economia de mercado, e creio que ainda vivemos numa economia de mercado, apesar de não muito certo, são os consumidores que decidem que produtos e que serviços são necessários em que sítio são necessários e quando são necessários. É assim que se geram empregos.
É a procura que dá a informação para o estabelecimento dos preços e que dirige o capital para onde este é necessário.
Não vejo como é que os governos podem avaliar estes dados correctamente quando o negócio deles é de votantes e não de consumidores.
Não vejo como os governantes podem afirmar com tanta convicção como vai ser o futuro, se sabemos pelo passado que se enganam continuamente. Espanta-me que ainda alguém os ouça, mas na realidade há que ouvi-los porque são eles que fazem as leis, ou seja, são eles que mudam as regras do jogo, por vezes são árbitros, outras são jogadores. Nós somos o público que bate palmas e por vezes assobia, outras vezes insulta.
De regresso à terra na minha actividade de fim de semana, existem alturas no ano em que as tarefas são muito agradáveis porque são conviviais. Quando existem frutos para colher, por exemplo. São actividades que permitem a mim e ao Jorge conversar sobre a realidade actual  mas com outra perspectiva. O mesmo acontece quando apanhamos os ovos e se limpam os galinheiros ou se arruma a palha.  O Jorge é um homem de coragem porque assumiu sair da cidade e da vida de hamster na roda de exercício, como ele diz, para viver a vida do campo. Mas continua interessado sobre tudo o que lá se passa, pelo que é sem surpresa que o ouço dizer que não sabe como as pessoas vão fazer na situação actual das coisas.
No início da sua vida foi a mulher que teve que trabalhar para ajudar a equilibrar o orçamento –  era a grande tendência dos anos 70 e 80; depois, já neste século, foi o crédito a ajudar a equilibrar os finais do mês.
Jorge disse basta, só que agora como vai ser com todos os que não podem dizer basta e que já não têm mais gente no agregado para trabalhar, ou crédito para aceder?
Surpreendido fiquei foi quando me perguntou: ‘’Então a proibição das vendas ‘short’ travou  a queda dos bancos?’’ Não, disse-lhe. Em França já caíram mais 14% e em Espanha 8%.

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