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A vitória de Trump é uma catástrofe para a elite política europeia

Nos próximos 12 meses teremos eleições na Holanda, em França, na Itália e na Alemanha e ainda a eleição presidencial na Áustria. Veremos quantos populistas se preparam para as ganhar.

As elites políticas por todo o mundo estão surpreendidas com o resultado das eleições, um sinal claro de que estão totalmente desligadas da realidade apesar dos alegados muitos contactos que têm com as populações quando estão em campanha. Mas existem mais elites obrigadas a um banho de humildade. É sempre mais fácil falar de pobreza e dos problemas, quando se está a comer lagosta. E que elites são estas? Todas aquelas que apoiaram Hillary Clinton, as celebridades de Hollywood e do ‘show businesss, a imprensa internacional, a elite política estrangeira e nacional, a elite financeira, os bilionários e os intelectuais.

O que parece claro neste momento com o Brexit e com Trump é que a sociedade sabe que as coisas não estão bem com o comum dos mortais, e que estes, depois de muito tentarem com os candidatos convencionais (que não são populistas apesar de muito prometerem mas não cumprirem), querem dar uma oportunidade à mudança.

Os media também estão surpreendidos com este ‘desvio’ do eleitorado ocidental para o isolacionismo, o xenofobismo e nacionalismo. Perguntam-se por que razão as pessoas estão a votar mal, se os grandes media têm uma opinião diferente e fazem parte dos grandes líderes de opinião? A resposta mais óbvia será que os grandes media já não têm a confiança das pessoas, mas haverá outras como, por exemplo, a percepção que os grandes media também fazem parte do sistema. Não deixa de ser estranho que apesar de tanta melhoria da economia mundial desde 2008 veiculada pelos media com origem em estatísticas e declarações politicas, estas melhorias não tenham reflexo no dia-a-dia das pessoas.

É estranho que este sistema que tem tido ‘tantas melhoras’ leve a um constante empobrecimento das classes médias. Ora, visto por este prisma, que pode estar errado, percebe-se que as pessoas votem assim porque se compreende que teriam que ser masoquistas para votarem naqueles que os trouxeram até aqui. A mentira política e económica veiculada pelos grandes media parece ter atingido o limite junto destas pessoas.

Depois, há outras explicações mais intelectuais, com estudos que dão suporte à ideia, que as pessoas já só lêem informação nas redes sociais e que a informação que aí circula não é fidedigna. Na época das tecnologias da informação, com acesso livre à informação, parece que estas não são fidedignas, ou pior, que isso conluie para conspirar.

O presidente Sampaio escreveu recentemente um longo artigo sobre o mesmo tema, com o título ‘a corrida para o abismo’, o mesmo presidente Sampaio que afirmava no início deste século que ‘há mais vida para além do défice’.

Para que houvesse mais vida para além do défice viemos parar aqui. Aqui é aos 133% de dívida em relação ao PIB quando tínhamos menos de 60% quando esta afirmação foi feita pelo presidente Sampaio. O som do momento é o abismo do nacionalismo e do extremismo, mas por enquanto só tivemos o Brexit e Trump, veremos no final do próximo ano com estes pensamentos profundos quão mais próximos estaremos do abismo.

Mas voltemos aos Estados Unidos e ao que implica esta mudança. Implica menos regulação e menos impostos, mais investimento no país menos investimento fora do país. É por esta razão que a vitória de Trump é uma catástrofe para a elite política europeia, mas infelizmente não vai alterar nada para o comum dos mortais.

O comportamento dos mercados demonstra exactamente isso. Os bancos subiram mais que qualquer outro sector, o que não augura menor desigualdade para a população, e também não quer dizer que vai haver maior contenção, pelo contrário, haverá mais estímulos. Mas, não foi justamente isso o que foi feito nos últimos 8 anos, criar mais e mais estímulos?

Os meus comentários não são políticos e valem aquilo que paga por eles, ou seja, nada, mas são uma observação atenta de quem tem uma opinião diferente e até uma solução diferente longamente apresentada ao longo deste blogue. Para alterar a situação actual é preciso um novo sistema monetário com base num banco central da segurança social emissor de moeda. Depois, é preciso obrigatoriedade de acesso à educação e igualdade de acesso à segurança social. Não vai ser possível nunca mais garantir emprego e muito menos igualdade no emprego porque este está reservado para os robots.

É uma nova sociedade que se está a desenhar. Uma sociedade em que aquilo que de mais importante se deve garantir é a igualdade de acesso ao conhecimento, não igualdade de pensamento. Os governos propõem-se garantir essa tarefa e os estudantes formatados pela actual política querem uma educação presencial sem custos. Curiosamente não querem cursos ‘online’ ministrados pelas melhores universidades do mundo sem custos, querem poder ir à Universidade? O que se pretende com esta educação universitária é identificar uma elite, não é uma melhor educação, nem garantir o sucesso, e tão pouco é pensar o futuro. Também não é isso que propõe Trump.

O que ele propõe é mais crescimento. Os Estados Unidos estão com menos de 2% de crescimento, Trump propõe-se atingir 4%. Segundo alguns economistas, a dívida tem de crescer 2% para que a economia não caia em recessão, logo o plano Trump tem que ser mais do mesmo em política monetária com uma alteração na política fiscal.

No mercado isso deveria reflectir-se em subida das acções e comodities e baixa dos bonds, ou seja, subida dos juros. Isso mesmo aconteceu nos mercados nos dias a seguir à vitória eleitoral. Em termos práticos, o que Trump está a prometer aos mercados é inflação. O que os media e os políticos dizem é que o sr. Trump é imprevisível. O que os mercados dizem é que a sua política não é.

Sabemos que para haver crescimento o sistema depende de mais e mais crédito, e as famílias não suportam mais deste remédio. As pequenas empresas também não, as grandes empresas já não sabem o que fazer com crédito e o Estado propõe-se construir com esse crédito, porque é o único que ainda o pode fazer.

A bolha existente no mercado de obrigações é diferente das outras da história dos mercados. Esta bolha é organizada e planeada pelos bancos centrais e estes têm em princípio um poder infinito. Já depois da vitória de Trump, o Banco Central Japonês anunciou a compra ilimitada de obrigações japonesas a 10 anos para garantir que a remuneração fique a 0%. Os bancos centrais são o problema; os resultados eleitorais são a manifestação desse problema. Vivemos num sistema monetário em que a dívida se tornou a moeda e que a dívida de melhor qualidade é a melhor moeda. Estranho mundo que está suportado na qualidade da dívida. A tal qualidade que fez desvalorizar os bancos Europeus 50% nos últimos 12 meses.

Para o cidadão comum nada vai alterar. Nos últimos 20 anos vimos fusões entre empresas passarem de milhões para biliões pelo que parece certo que com mais divida anunciada, será neste mandato de Trump que veremos o primeiro negócio valorizado em mais de um trilião. Para o cidadão comum isso só aumentará o sentimento de que o seu dinheiro cada vez vale menos. Para o cidadão Europeu a aproximação do euro à paridade com o dólar pode anunciar mais problemas para a Europa em 2017. Alguma das nossas elites está disposta a discutir estes temas sem politiquices com o intuito de encontrar soluções ou prefere continuar a escrever sobre o abismo enquanto buzina para chamar a atenção?

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