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A verdade actual

A razão pela qual as democracias, em momentos de crise económica, arriscam a
sobrevivência é que, pela natureza da própria democracia, nenhum político pode dizer
a verdade toda acerca da necessidade dos sacrifícios para suster um processo de
declínio. Se o fizer, o resultado é sempre um suicídio político.

Como não somos políticos, podemos dizer toda a verdade sobre a situação actual.
Estranhamos que uma grande parte da população não tenha ainda percebido que
vivemos uma situação que se resume a um dito muito popular: “Não há dinheiro não
há palhaços!”

O que neste momento está em causa é a nossa qualidade de vida, as nossas
pensões, o futuro das nossas famílias e, em resumo, o padrão de vida a que nos
habituamos, na qualidade de cidadãos da Comunidade Europeia.
À medida que a crise se vai desenvolvendo, vamos constatando regularmente
alterações ao nosso modo de vida, umas subtis e outras menos subtis. Lisboa vai ter
um dia em cada semana no qual o serviço de recolha de lixo que o município
assegura não será realizado; nos transportes, os comboios vão circular menos; as
estradas vão passar a ter mais buracos; a segurança será cada vez menos eficaz; o
policiamento cada vez mais raro; a saúde mais precária e mais cara.

Mas a crise não se limitará a ter estes impactos, terá outros menos visíveis. Abrir uma
conta numa corretora passou a ser frustrante, tal qual como nos bancos, como
frustrante passou a ser obter um crédito à habitação, ou qualquer outro tipo de crédito.
Será que as pessoas que fazem greve (quase sempre os funcionários públicos),
acham que a situação irá melhorar por reivindicarem mais e trabalhar menos? Será
que os juízes pensam que a eventual inconstitucionalidade das decisões políticas que
lhes desagradam garantirá logo mais dinheiro?

Vejamos o que aconteceu este ano na cidade de Prichard no Alabama (USA). Durante
anos a autarquia, conscientemente, não contribuiu para o seu fundo de pensões e
chegou, inclusive, a ignorar uma ordem do tribunal para o fazer, pela simples razão de
que não dispunha dos meios financeiros para o fazer. Depois aconteceu o inevitável:
os cheques deixaram de chegar aos pensionistas, violando-se assim claramente a lei,
que diz que as pensões devidas devem ser pagas na totalidade. Porém, em Prichard,
não apareceu ninguém para fazer aplicar esta lei.
Gostaria de recordar alguns factos envolvendo políticos:
– Quando se iniciou a crise do ‘subprime’ estes disseram que era um problema
controlado e limitado no custo e no tempo;
– Quando se iniciou o problema da Grécia nem era preciso ajuda. Depois já foi precisa
essa ajuda. Logo a seguir essa ajuda teve que ser aumentada. Depois resolvia-se o
problema com um perdão de 21% da sua dívida pública logo após com um corte de
50%. E depois… ainda não sabemos, mas no final, garantidamente, haverá
incumprimento.

Com a Fannie Mae, o banco imobiliário americano que detém 60% dos créditos
imobiliários nos Estados Unidos, também os políticos disseram que não era preciso
nenhuma intervenção especial, mas depois o banco acabou nacionalizado a 80%.
Portugal, tal como a Irlanda, também não precisava de ajuda, chegando mesmo o
presidente Van Rumpuy a dizer em 2010 que a situação de Portugal era muito
diferente da situação da Irlanda. Depois… percebeu que a situação era igual e até pior.
A Itália também não precisa de ajuda mas pelo sim pelo não pede o FMI como
observador. O Fundo Europeu para resolver a situação soberana europeia foi sendo
regularmente aumentado na sua dimensão, primeiro bastavam 250 mil milhões, depois
400, depois 600, depois 750 mas, como por milagre, sempre sem dinheiro.
Certamente que se recordam dos testes de ‘stress’ feitos aos bancos para,
definitivamente, eliminar o risco sistémico e identificar os bancos fragilizados. Se a
resposta é sim recordam-se que não foram identificados os bancos irlandeses que
depois precisaram de um auxílio especial da troika, ainda em 2010. Em 2011, depois
de uma segunda ronda de testes de ‘stress’, que correram bem para quase todos os
bancos (com a excepção de 6 deles), verifica-se agora que são precisos mais de
100.000 milhões para recapitalizar a banca Europeia, ou seja, todos aqueles que
haviam passado aqueles testes.

A maioria das pessoas não tem tomado atenção à precisão com que os políticos têm
encontrado as soluções para os problemas. A maioria tem seguido com mais atenção
as sucessivas reuniões de G20, de G8, de ministros das finanças, de primeiros
ministros, em que tudo é feito para não se fazer nada.
A realidade é que os políticos estão sem soluções e é por isso que se viram contra as
populações, confiscando riqueza e destruindo liberdades, porque em primeiro lugar
gastaram tudo o que havia para gastar, depois endividaram-se no que foi possível e,
finalmente, as dividas tornaram-se tão grandes e tão onerosas que nos levaram à
situação actual.
O resultado destas políticas já é visível na Grécia, com a cidade de Atenas a ter as
lojas fechadas, uma em cada duas, e muitas das lojas ainda abertas anunciando já o
seu fecho. Nas ruas existem mais pedintes que turistas e mais gente a protestar que a
pedir. Em Inglaterra, os distúrbios não foram conotados com a situação económica,
vá-se lá saber porquê, mas as imagens são aquelas que não se querem ver por aqui.
Os políticos mentem regularmente, mas os políticos em dificuldades mentem muito
mais. Nos Estados Unidos, entre 2007 e 2008, o défice federal triplicou passando de
161 mil milhões para 459. Segundo os políticos, era uma situação única. Em 2009,
voltaram a triplicar passando o défice federal para 1,4 biliões e garantindo os políticos
que se justificava por ser uma emergência, irrepetível. Em 2010, o défice foi de 1,3
biliões porque a emergência se mantinha e o de 2011 de 1.5 biliões porque a
emergência passou a situação que se mantém.

O problema actualmente é que os governos já não podem pôr mais dinheiro na
economia, tendo agora que retirar dinheiro dessa mesma economia fazendo cortes
orçamentais substanciais. Com as economias em recessão em vez de obterem mais
receitas terão cada vez menos.
A catástrofe final, capaz de colocar as populações em pobreza generalizada durante
décadas, ocorrerá quando não for mais possível obter crédito, justamente aquilo que
está a tentar ser evitado na Grécia.
Quando esse ponto é atingido, quando os governos ficam sem dinheiro e não podem
mais pagar, a vida, tal como a conhecemos, acaba. Para que não se julgue que estou
a dramatizar a situação recordo que o governo tem que pedir emprestados metade de
todos os euros que gasta e se isso não for mais possível a alternativa é cortar
drasticamente na despesa.
Dramático é que a população não entenda a perigosidade desta situação, a população
entende que as coisas não estão bem com a economia, que o crédito está difícil, mas
não entende que os Estados podem deixar de ter dinheiro.

Da Grécia chegam todo o tipo de noticias mais ou menos sensacionalistas mas o que
não nos chega com objectividade é a incapacidade do governo pagar as despesas de
saúde, de transporte, os gastos com a justiça, os funcionários, os pensionistas, os
desempregados. Com os programas governamentais reduzidos ou eliminados, os
consumidores ficam paralisados e a economia também. O passo seguinte é o
aumento da criminalidade, da corrupção, do mercado paralelo e com eles o aumento
nas restrições da liberdade.
Não somos a Grécia mas se não formos responsáveis podemos vir a ter os mesmos
problemas. Os cortes que são feitos a nível local nos Estados Unidos são menos
falados, como os de Oakland, que apenas conhecemos pelas imagens dos distúrbios
recentes, causados pelo movimento ocupar Oakland. O que não passou em imagens
foi que a polícia de Oakland informou os habitantes da cidade há já alguns meses que
iria deixar de poder dar resposta a pequenos roubos, assaltos ou vandalismo, por ter
sido obrigada a reduzir o número dos seus efectivos. Bem sei que para muita gente é
difícil imaginar que as coisas possam ficar assim, afinal de contas a situação está
normal, os carros circulam, os restaurantes e os bares têm gente, as lojas estão
abertas, mas como se viu em Inglaterra foi de repente que aconteceram os distúrbios,
foi de repente que pedimos auxilio à troika, é de repente que as pessoas deixam de ter
confiança.
Para já é importante que aqueles que nos emprestam não deixem de ter confiança, e
é importante que todos tenhamos a noção que estes sinais são só o princípio do que
está para vir.

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