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A privatização dos beneficios e a socialização dos prejuizos

Uma das coisas que distinguia claramente os mercados Americanos dos mercados Europeus, era o respeito que o poder politico tinha pelas Bolsas e o pacto de não envolvimento implicito que fazia com que o paradigma do capitalismo fosse ali em Nova York ou em Chicago.

Com efeito, há pouco mais de 10 anos (apesar de no seculo passado), qualquer comunicação politica importante nos Estados Unidos só era feita depois de os mercados fecharem para não influenciarem o bom desenrolar das sessões. Na Europa não havia esse tipo de preocupação. Nos Estados Unidos uma empresa relevante em dimensão, mas em dificuldades, teria que encontrar soluções de mercado para sobreviver. Na Europa a mesma situação levaria os poderes politicos a intervir, umas vezes por questões sociais, outras por razões estratégicas e algumas vezes por interesses… politicos!

Na prática o capitalismo americano era diferente do capitalismo europeu. Nos Estados Unidos, Deus podia perdoar mas os mercados nunca o faziam. Na Europa ou Deus ou os Politicos faziam-no amiude. Se fosse necessário mudar-se a lei faziam-no, se fosse necessário dar-lhe uma interpretação consentânea com o interesse nacional, pois claro que também, e se necessário fa-lo-iam de novo, tudo isto porque o capitalismo, não pode ser na Europa, nem fundamental nem selvagem.

Na prática do dia à dia dos mercados, o resultado é que os investidores devem ter isto em consideração, sempre que houver situações em que possa haver livre arbitrio dos poderes politicos. Em alternativa ou se afastam do titulo em questão, ou fazem uma aposta como no totoloto, ou têm uma informação segura de que podem manter essa mesma posição.

Não existe aqui nenhum julgamento de valores, ao contrário do que possam pensar. Factos são factos, e um investidor só deve lidar com factos.

Vem tudo isto a propósito de uma constatação importante: O capitalismo acabou nos Estados Unidos, pelo menos na versão conhecida, a nova versão ainda não tem uma designação exacta mas o seu programa é claro. A privatização dos beneficios e a socialização dos prejuizos.

A crise do sistema financeiro americano do último ano teve até agora 3 icebergs (Bear Stearns, Fanny Mae e Freddie Mack) e um banco afundado o IndyMac. O Banco Bear Stearns teve uma solução institucional porque era grande demais para cair, mas a Fannie Mae e Freddie Mack são ainda maiores, por isso não há mais nada a dizer. Ou talvez haja, porque sendo uma situação extraordinária convém que se perceba o que mudou.

Fannie Mae e Freddie Mack detêm mais de metade da divida imobiliária americana e apesar de não serem empresas publicas, eram empresas privadas com o patrocionio do Estado, portanto quase publicas. De facto, são certamente grandes demais para fecharem por um lado, e por outro, sendo de facto empresas privadas são pressionadas a apresentarem resultados. Neste negócio de taxa de juro as coisas funcionam assim: Se tiver uma estratégia que lhe permita ganhar 0.25% ao ano é possivel fazer muito dinheiro. A única coisa necessária é aumentar a exposição, aumentando o volume negociado. Assim sendo, se lhe for possivel aumentar o capital original 40 vezes com alavancagem, então já consegue ganhar 10% (40×0.25) e se conseguir aumentar o capital 80 vezes então já pode ganhar 20%, com o mesmo negócio. Foi desta forma que as empresas financeiras aumentaram o risco, sempre com o intuito de aumentar os resultados e foi desta forma que o risco se tornou um problema, porque resultados cada vez mais significativos só eram possiveis com o aumento cada vez maior da exposição e logo do risco. Quando o antigo membro da Reserva Federal William Poole veio dizer que o Freddie Mack estava insolvente porque devia 5.2 mil milhões mais do que o valor dos seus activos, o resultado esperado para muitos investidores era a falência e a consequência logica da cotação foi uma queda abrupta de mais de 50%.

Os mercados americanos já não são o último bastião do capitalismo puro, o novo capitalismo americano já tem um travo mais Europeu. Estas empresas são suficientemente grandes para colocarem o sistema em risco e justificam uma intervenção politica com uma garantia do Estado, e na evntualidade de isso não ser suficiente, uma intervenção directa nos mercados, comprando os titulos. Ora aqui está certamente uma inovação quando comparado com a Europa porque por cá não se intervém de forma descarada no mercado. Nacionaliza-se como se fez com o Northern Rock. O resultado desta decisão nas empresas Fannie e Freddie, foi a subida das cotações quase para os niveis anteriores, mas certamente com investidores diferentes daqueles que acompanharam a descida. Muitos perderam, alguns ganharam.

Agora que as Bolsas são reconhecidamente manipuladas, a SEC americana tomou a decisão de proibir (se bem que por um periodo limitado no tempo) as vendas short sobre os titulos financeiros americanos. O que é o progresso! Recordo-me de, no fim dos anos 80, escrever sobre a necessidade imperiosa de se autorizarem as vendas short em Portugal como forma de fazer recuperar a Bolsa da queda sofrida com o crash de 87. Efectivamente em 89 os indices americanos tinham recuperado tudo o que tinham perdido, enquanto a nossa Bolsa continuava a cair. O meu argumento era aquele que tinha levado à implementação das vendas shorts noutros países. A necessidade de ajustar o preço rapidamente, para poder atingir o equilibrio. Vinte anos volvidos a SEC chega à conclusão que as vendas short são responsáveis pela queda dos titulos financeiros e proibe os shorts. Veremos se têm razão.

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