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A nova guerra fria

Agora que a OPEP começa a falar na possibilidade de se fazer pagar em euros e não em dólares, isso significa que estamos no nível amarelo de uma nova guerra fria, não entre governos ou países mas agora entre a moeda americana e o euro. As diferentes estratégias, na abordagem da crise financeira dos subprime entre FED e BCE parecem estar a tornar-se numa diferente adopção  de conceitos económicos, cuja rivalidade só pode estar num estatuto no privilégio que é ser-se moeda de reserva mundial.

Este estatuto detido pela moeda americana desde Bretton Woods há pouco mais de 60 anos, concede aos Estados Unidos uma vantagem económica de extrema importância, que é a possibilidade de manter uma balança de transacções negativa ano após ano. Esta situação tem-lhes sido permitida porque os outros países necessitam de dólares para pagarem os seus empréstimos internacionais,, prioritariamente ao FMI, para constituir reservas das suas próprias moedas e para manterem os seus negócios internacionais. Actualmente cerca de 2/3 do comercio internacional é feito em dólares e cerca de 2/3 das reservas mundiais existentes nos bancos centrais estão também em dólares.

Todos conhecem já o problema dos deficits americanos. O que talvez nem todos saibam é que é o facto da moeda americana ser a moeda de reserva mundial que permite a esses mesmos americanos consumirem mais do que aquilo que produzem.

Recentemente emirados e outros países do Golfo, entre muitos outros,  anunciaram a sua intenção de não dependerem tanto do dólar aumentando a sua exposição à moeda Europeia. Um movimento mais generalizado deste tipo pode ter um efeito desastroso para a economia americana porque vai impedir que gaste para além das suas possibilidades. Se um movimento deste tipo se tornar desgovernado pode até dar origem a um crash da moeda, pelo que creio ser agora clara a sensibilidade desta situação. As questões relacionadas com a moeda americana têm implicações muito importantes na estabilidade da economia mundial mas o que é um facto é que a estabilidade e a credibilidade do dólar está agora em causa como nunca esteve anteriormente.

Este é o momento para se fazer a análise da moeda americana, primeiro porque o FED baixou recentemente a taxa de juro em 1.25% numa semana enquanto o BCE manteve a sua inalterada. O resultado é que o diferencial de taxas de juro é agora favorável ao euro. Curiosamente este é o momento em que o euro começa a perder valor para o dólar. Será isto uma anomalia do mercado ou estará o mercado a antecipar uma nova tendência?. Na eventualidade de se tratar de uma nova tendência esta está baseada em que previsíveis factos?

O único que nos ocorre é justamente a estabilidade da moeda. O mercado pode estar a antecipar o facto do BCE ter sido consistente com o seu mandato para controlar a inflação e poder ser obrigado a reduzir as taxas por um período mais longo que o esperado.

Em termos técnicos o euro contra o dólar tem estado em range nos últimos meses tendo feito três tentativas infrutíferas para fazer novos máximos. A eventualidade de descer abaixo dos 1.43 levará o euro a entrar num ciclo de baixa que impedirá a moeda Europeia de atingir os máximos anteriores até pelo menos ao final de 2008.

Em conclusão, apesar de haver uma maior noção dos problemas com a moeda americana os próximos meses parecem poder ver a sua valorização e dar assim uma última oportunidade aos que se querem desfazer dos dólares.

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