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A história vai recordar 2008 como o ano da maior crise financeira alguma vez vivida

Tem sido para todos um verdadeiro drama a destruição de riqueza que se tem verificado nos mercados e a impressão que se sente é que se vai perder tudo porque tudo, sem excepção, tem desvalorizado.

O mundo vive, neste momento, um enorme problema de liquidez e apesar das constantes e extraordinarias injecções, essa liquidez injectada não é suficiente. É esta falta de liquidez a responsável pela queda das cotações.

O Governo Americano está a fazer todos os esforços, com medidas que seriam impensáveis no seculo passado. para garantir o sistema financeiro a todo o custo.. O capitalismo está definitivamente diferente, mas a pergunta que fica é quem poderá salvar os Estados Unidos em último recurso?

Independentemente de se estar de acordo ou não com as intervenções, a forma de intervir ou com o resultado das intervenções, no final haverá pelo menos mais uma vitima e essa é o dolar americano.

A situação é suficientemente grave para não se excluir a possibilidade de se viver uma situação como aquela que vive o Japão desde 1989. Parecem, por isso, surgir neste momento oportunidades que deve assumir para proteger a sua carteira.

A primeira tem a ver com ouro. O ouro é o tradicional refugio quando se perde a confiança no papel moeda. Não é impossivel evoluir para os 2500 US $ de acordo com John Ing, um analista Canadiano especialista em minas de ouro.

O FED e o Governo Americano conseguiram, até agora, evitar que os câmbios tivessem ficado fora de controlo, mas é bom não esquecer a ordem e a dimensão dos problemas. A crise do subprime foi o primeiro problema, os bancos e as seguradoras são o segundo. Nos dois primeiros incluem-se os credit default swap, mas ainda teremos certamente os cartões de crédito, as taxas de juro e a economia real. Uma crise com esta dimensão só tem uma solução conhecida, inflacionar a economia com um tsunami de liquidez, que é o que está a ser feito.

A segunda tem a ver com a moeda americana que, inevitavelmente, tem que desvalorizar. Isso mesmo se confirma com os credit default swaps (CDS) sobre a taxa de juro, ou seja o custo para segurar a divida americana, que, nos titulos de 5 anos, esteve em 18 pontos base, um custo superior ao da divida alemã que estava nos 16 pontos base, mas também da japonesa , francesa e holandesa. Com esta preocupação do mercado é previsível uma alteração substancial de sentimento por parte dos investidores.

O modelo seguido pelo FED americano ao longo dos últimos anos foi criar uma riqueza artificial por via da valorização dos activos, e isso foi conseguido com crédito. Esse modelo parece estar acabado, visto que só poderia manter-se com uma linha de crédito sem fim. Mesmo assim, a realidade é que a valorização dos bens traz uma prosperidade ilusória, porque a abundância de moeda torna o dinheiro menos valioso. Logo, não existe verdadeira criação de riqueza.

Já referi, neste blog, que estamos perante uma crise do sistema financeiro, sistema esse que tem como padrão a moeda americana. De Gaulle considerava ”um privilégio exorbitante” a escolha, de uma moeda usada como padrão, mas esse privilégio tem estado alicerçado na confiança dos investidores ao longo dos anos e está agora a ser posto em causa por esses mesmos investidores ao pagarem um prémio superior ao que pagam os de outros países.

O mundo, em todas as suas vertentes, está comandado por modas. No mercado chamam-se tendências. Ontem na moda, hoje desactualizado. Os consumidores estão totalmente alienados com a moda e aqui surge a terceira oportunidade. Estamos no final de um ciclo em que ter a aparência de rico era mais importante que sê-lo. A crise do imobiliário nos países em que mais se valorizou demonstra isso mesmo. A qualidade existe, a oferta também, só a procura desapareceu. As oportunidades estão aí!

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