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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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A crise na Bulgaria

Na passada quinta feira fui a Sofia, capital da Bulgaria, para uma estada de pouco mais de 24 horas e um par de reuniões. O tempo estava cinzento mas as montanhas que cercam a cidade ainda não estavam cobertas de neve, o que acentuava o ar triste que a cidade já de si, tem.

A Bulgaria tem um indice de desemprego de mais de 30% (há quem diga que pode ter já atingido os 40%) e a bolsa perdeu desde 2008, 90% do seu valor. Por tudo isto não me surpreendeu o ar abatido das pessoas,todas com um olhar meio vazio.
Os jovens desempregados querem ter uma vida, ter oportunidades, mas o país é  pequeno, com pouco dinheiro, globalmente muito concentrado em poucos individuos. Os mais velhos, também desempregados, procuram alguma coisa para ocupar o tempo.
A Bulgaria tirava o seu crescimento do imobiliário, vendido sobretudo a estrangeiros.

Dado o imobiliário estar agora em grande crise não surpreende que tudo o resto esteja também em crise. O que surpreende é que, de acordo com o governo, lá como cá, a recessão acabou em Junho de 2009. Porém, apesar do fim oficial da recessão o numero de desempregados continua a aumentar desde essa data . A Bulgaria como Portugal está em correcção, para utilizar uma terminologia de mercado, já que não se pode ou não convém utilizar a palavra recessão.

Os preços do imobiliário estão em queda acentuada, assim como o arrendamento. A única coisa que sobe são as taxas de juro. No sector dos serviços a travagem da actividade económica é brutal. Nos serviços financeiros a ocupação do espaço é um terço do que existia há 2 anos. No escritório de advogados que visitei, com 2 pisos ocupados há um ano, só um continua agora ocupado por juristas.
Dizem-me que os estrangeiros são os responsáveis porque deixaram de lhes proporcionar oportunidades de negócio. Talvez. O negócio surge das oportunidades e os estrangeiros voltarão com a oportunidade que o ajuste dos preços trará. Os estrangeiros ganharam dinheiro na Bulgaria com o imobiliário, nos últimos 10 anos,  porque os preços eram baratos, agora estão caros e só o tempo os trará de novo para um nivel justo.
Na viagem de taxi para o aeroporto isso mesmo me dizia o taxista: ‘’Não sei como este País se mantém vivo. Quem é que poderá estar interessado em trabalhar ou fazer negócio aqui?