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A caminho da implosão

Que Confusão. Todos os dias os países do G7, ditos ricos, gastam dinheiro que não têm. Para financiar esses gastos, pedem emprestado nos mercados financeiros, sem pestanejar, porque sem esse dinheiro seria impossível pagar a funcionários, as reformas ou até manter a segurança social.

O primeiro ministro português fez uma declaração que se revelou polémica, na qual ousou dizer que os subsídios de Natal e de férias só seriam repostos no decurso de 2015. A responsável do FMI Christine Lagarde, por seu lado, em discurso feito em Whashington afirmou que os Estados Unidos deveriam contribuir com mais dinheiro para a resolução da crise europeia.

A confusão está no facto de ambos estarem a falar de dinheiro, sabendo de antemão que não existirá dinheiro para o que estão a sugerir. Claro que esperar que os políticos venham a terreiro dizer que não existirá dinheiro para dar resposta às responsabilidades que assumiram,não seria politicamente correcto mas, em contrapartida, seria normal esperar que se mostrassem mais reservados. As declarações sobre os subsídios não fizeram mais que incitar ao aparecimento de outras afirmações politicas, do tipo: ‘’os trabalhadores estão a ser roubados’’, confundindo ainda mais a generalidade das pessoas. Para que exista roubo é preciso que exista um valor roubado ou mais explicitamente dinheiro, e dinheiro é aquilo que os políticos parecem ainda não ter percebido que é coisa que não existe.

De alguma forma não deixa de ser compreensível que as pessoas, que estão, há mais de 20 anos, habituadas a ver o Estado facilitar-lhes toda a espécie de serviços, não cessando de clamar por um Estado Social protector, sintam não ser uma inevitabilidade o Estado acabar com a maioria das benesses actualmente existentes. Acima de tudo porque interiorizaram que isso nunca iria acontecer.

O que não é compreensível é que sejam os políticos os primeiros a confundir a generalidade da população, demonstrando uma total inaptidão para o exercício dos cargos que exercem,ao pensar que sim, que é possível ao Estado gastar mais do que o que recebe, sem cuidarem de alterar o modelo actual.

Sarkozy, afirmou em 2011:'”Temos que repensar o sistema financeiro desde o principio… e é este  o momento para se mudarem as regras do jogo”.
Não sei se consciente da inviabilidade do sistema em que vivemos, mas inclinado a acreditar que inconsciente, porque a única intenção subjacente era justificar o taxar as transacções financeiras. Se o tivesse dito em consciência, este seria efectivamente o debate que a sociedade deveria estar a ter neste momento. Mas debate com este propósito não existe.
O que os banqueiros dizem prevalece, e o que dizem é bem simples: se o que se pretende é evitar uma recessão é preciso um sector bancário forte que financie a economia; se aquilo que se pretende é uma recessão então ataquem-se os bancos e ver-se-á o resultado. Para evitar a tal recessão o  BCE   aumentou o seu balanço até agora em 2,4 triliões de euros (de dinheiro criado do nada…) exclusivamente para salvar os bancos e os Estados. Este montante corresponde já a 7.500 euros por habitante da zona euro ou 30.000 euros por agregado familiar (de 4 pessoas) e está ainda muito longe de resolver o problema desses bancos e desses Estados.

Sai Sarkozy entra François Hollande que tem o mundo da finança como inimigo publico identificado . Qual será a intenção? Cobrar mais impostos? Criar uma guerra contra o sistema financeiro como uma guerra contra o trafico da droga ou contra o terrorismo? Tudo isto só com a intenção de a criar, nunca com a intenção de a resolver. Uma guerra com o mundo financeiro só beneficia justamente o mundo financeiro, antes do mais porque lhe retira a competição, depois, porque os custos são suportados pelo consumidor. Um verdadeiro debate sobre o sistema financeiro actual deve incidir sobre algumas questões muito concretas das quais destacamos:
1-      Existe saturação de divida no sistema financeiro?
2-      Existe colateral para o endividamento existente no sistema?
3-      Existe razão para os bancos se financiarem a 1% para depois  financiarem a economia a 9% e o Estado a 5%?
4-      Existe razão para um banco central manter o sistema monetário em funcionamento criando divida?
5-      Não seria possível e mais adequado um banco central criar capital em vez de divida?

A Reserva Federal Americana comprou 61% da divida americana em 2011. Isto significa que todos os conceitos que dão suporte ao nosso sistema monetário e financeiro estão viciados, que os mercados existentes que lhe dão suporte já não se justificam porque não servem como mecanismo de atribuição de preço. Com efeito o actual sistema financeiro está baseado em divida e a noção de custo do dinheiro está falseado em resultado das intervenções dos interesses instalados. Como falseada está a noção de risco. O risco não pode ser eliminado no sistema financeiro. O risco só pode ser deslocado, pelo que os produtos sofisticados criados com o propósito de mitigar esse risco partem de um principio errado, com as consequências que se conhecem. O sistema financeiro tem a sua lei de Peter que implica que o risco seja gradualmente aumentado até não poder ser mais movimentado e assim criar um grave problema.

Que interesses são estes então que não permitem este debate sério? Os interesses do sistema financeiro e os interesses dos Estados, que estão intimamente ligados? Quando se discute se vai ou não haver eurobonds, se o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira deve ou não intervir na banca espanhola, se o BCE deve ou não dar mais liquidez ao sistema, é esta guerra que estão na disposição de travar?

Se é, então notoriamente o interesse dos Estados não é o interesse da população em geral.

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