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A banca sem stress

Com o stress do ”stress test” posto de lado, e perplexo com a evidente satisfação dos mercados, decidi aproveitar para ter uma reunião com o gerente do banco com o qual trabalho, porque faltava dinheiro na minha conta, com origem em movimentos que não entendia.

Iniciámos uma conversa simpática mas inconsequente porque o meu interlocutor não sabia dos ”stress test” que tinham sido feitos aos bancos americanos, nem tinha ideia como, nem porquê, os bancos poderiam estar mal. Afinal de contas, é só um gerente de banco e tanto quanto poderia saber até estavam a ganhar dinheiro.

Ora ali estava, pois, uma boa deixa para tratar do tema da minha visita. Mostrados os movimentos na conta (vários débitos), o gerente começou por tentar justificar o injustificável. Primeiro, fiquei espantado, depois ofendido!
Os estranhos débitos iniciais tinham origem numa garantia bancária de 40.000 euros, que me custara, em várias parcelas, 1.400 euros. Admito que dito desta maneira a operação até se possa considerar normal – afinal de contas, uma garantia bancária tem que ter um custo qualquer. Contudo, para ter acesso a essa garantia bancária, também eu fui obrigado pelo banco a apresentar uma outra garantia, no mesmo valor: 40.000 euros a serem depositados no banco.

Recapitulando: para obter a minha garantia bancária de 40.000 euros que teve um custo de 1.100 euros mais 0.5% ao trimestre, eu tive de dar uma garantia ao banco depositando 40.000 euros e não receber nada em troca.
” Não é bem assim”, ressalvou o gerente, acrescentando: “Estamos a pagar-lhe 1% ao ano”. “Um por cento bruto”,  interrompi eu, o que dá liquido 0.8%, enquanto o banco me cobra líquido 0.5% ao trimestre, ou seja, 2% líquidos se fossem cobrados ao ano. Mas como são cobrados ao trimestre o seu custo é ainda maior.

Bem argumentei, mas não serviu de nada explicar que, afinal, era o meu dinheiro que estava a garantir o papel da garantia passado pelo Banco. Bem propus que se não podia aumentar a remuneração ao menos reduzisse o custo. ”Que não, que não era possível”, disse.

Vejamos então o caso de um outro débito duvidoso de 167 euros que aparecia no extracto. “Do que se trata”, perguntei. A resposta veio pronta e da forma mais natural: ‘Utilização dos serviços de internet do banco”. Mas então será normal estar a pagar ao banco o meu próprio trabalho, atendendo a que não incomodava ninguém enquanto fazia as minhas operações? A menos que fosse uma forma indirecta de cobrar o tempo que lhe estava ali, naquele momento, a tomar. E se assim era, porque não então fazer como os advogados e cobrar à hora? “Para falar com o gerente do banco o custo é de 167 euros à hora cobrados anualmente, é isso?”. A contra gosto lá foi dizendo que iria ver o que se podia fazer…

Finalmente, pedi-lhe para me explicar um último misterioso débito de 87 euros. Depois de demorada pesquisa no terminal de computador, o gerente, convicto, disparou a pergunta esclarecedora: ”Desmobilizou uma aplicação que tinha?” Não foi preciso pensar muito para lhe responder afirmativamente, mas recordando-lhe simultaneamente que me tinha dito, na ocasião, que não haveria problema se eu tivesse necessidade do dinheiro.
“Efectivamente, problema não houve”, disse-lhe, “o que houve foi uma penalização e ninguém me alertou para isso”. Já não respondeu, nem podia responder. Em poucos meses o banco tinha retirado da minha conta 1.600 euros em comissões. Da maneira mais simples, sem faca nem pistola, só com falinhas mansas. Por ”serviços” que tinha dificuldade em compreender.
Terminei dizendo-lhe que a nossa relação acabara ali. A sua resposta foi a de que, para isso, também teria que cobrar, e foi o que fez.
Regressei ao escritório mais elucidado sobre a situação do sector financeiro.

O “stress test” que tanto tempo ocupa nos “media” da especialidade fazia agora muito mais sentido (alguma ironia não pode fazer mal). Enquanto alguns bancos tinham que arranjar mais capital junto de investidores em resultado de uma fórmula matemática criada para detectar problemas de solvência futura, o Fannie Mae pedia mais capital ao FED sem “stress”. Já agora com estes ‘’stress tests’’, os problemas de mal parado ficaram resolvidos? Os activos tóxicos deixaram de o ser? É mesmo verdade que tudo se resolveu sem stress só com um teste?

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