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2005 ano de viragem, novo governo com azar

“O destino da economia mundial está totalmente dependente da economia americana, que por sua vez, está totalmente dependente do mercado de capitais cuja valorização está dependente de aproximadamente 50 empresas, metade das quais nunca apresentou resultados….” Paul Volker antigo presidente da Reserva Federal.

2005 ano de viragem, novo governo com azar.

A economia tem ciclos que são estudados pelos académicos e conhecidos de todos graças aos politicos e aos media. São os ciclos de expansão económica e de recessão aqueles que são do dominio publico, mas existem outros que, de tão habituais e enraizados nas tradições nem são considerados como tais, como os ciclos sazonais ligados às estações e que são usados pelos agricultores nas suas fainas. O mercado de capitais, para além dos referidos, tem os seus próprios ciclos e é talvez a área em que eles são mais analisados.

Pode então o ciclo económico ser previsto com a ajuda do mercado?
Pode.
O mundo é agora verdadeiramente global. O que acontece aqui tem um impacto ali e esses impactos são reais. Não se podem mais planear politicas económicas baseadas na situação local, da mesma forma que ninguém deve planear investimentos baseados na politica local.
O que movimenta os mercados é o fluir dos capitais. As condicionantes do fluir dos capitais podem estar relacionadas com imposição fiscal, taxas de câmbio, taxas de juro, condições de emprego,etc.

Há talvez 20 anos, os capitais movimentavam-se em 90% por razões comerciais, somente 10% o sendo por razões de investimento. Hoje passa-se exactamente o contrário, 90% tem origem em operações de investimento.

É provável que a grande responsável por este facto tenha sido a flutuabilidade das taxas de câmbio e o advento do forex que passou a permitir a atracção de capital para países, na simples perspectiva da valorização da sua moeda. Como consequência, os preços dos bens passaram a estar distorcidos.

O crash de 1987 é um bom exemplo destas distorções. Em 1985 o G7, nos acordos do Plaza, acordou baixar o valor do dollar. Em resultado disso a volatilidade cambial aumentou gradualmente até ao verão de 1987 e acabou por resultar no crash de 1987 quando o investimento estrangeiro abandonou os Estados Unidos.

Na prática o dinheiro tornou-se uma commodity e passou a ser negociado como tal. O que talvez não é conhecido pela grande maioria é que muitas empresas europeias, japonesas e americanas realizam mais dinheiro com a sua exposição cambial que com a sua linha de produção.
No estudo dos ciclos, 2005 deve ser considerado um ano de transição com aumento de volatilidade e de intensidade (profusão de acontecimentos). Até ao momento isso mesmo se tem confirmado com os câmbios, indiciando que o valor das moedas se tornou incerto, veja-se a valorização do euro e a desvalorização do dollar, e mais recentemente (os ultimos 3 meses) a valorização do dollar e desvalorização do euro.

As nossas eleições antecipadas tiveram o condão de indexarem o nosso ciclo politico ao ciclo presidencial americano, e o ciclo politico americano tornou-se unha com carne com o ciclo económico. Este ciclo presidencial deveria acabar como acaba normalmente, com uma recuperação da economia e da bolsa no último ano de mandato, mas teremos que considerar alguns factos e avaliar a possibilidade desta vez isso não acontecer.
Vejamos então dois factos, que devem ser considerados para uma correcta avaliação do ciclo económico:
A América está no inicio de um ciclo de alta das taxas de juro. Depois de um ciclo de baixa, com inicio em 1981 e taxas acima dos 14%, elas vieram para um minimo de 5,5% em 2003. Os mercados esperam agora uma subida que durará anos e que levará no minimo as taxas para niveis entre os 7,6 e os 9.5%. Em 19/11/2004 Alan Greenspan o presidente do FED afirmou num discurso que a subida das taxas já tinha sido publicitada o suficiente para que, quem não estivesse preparado e protegido para essa eventualidade, teria certamente vontade de perder dinheiro. Pode por isso ser considerado um dado adquirido.

A baixa do dollar nos mercados internacionais tem como consequência interna a subida da inflação. A combinação da subida do ciclo das taxas de juro com desvalorização da moeda com aumento de inflação é potencialmente explosiva.

Vejamos agora três factos de caracter politico que devem ser adicionados à equação:
A economia da Russia é dominada pela corrupção e por práticas não institucionalizadas no ocidente, que estão a levar a governação de Putin a práticas entendiveis como totalitárias, certamente com o intuito de voltar a ter o poder de intervenção já perdido.

A economia da China vive uma revolução industrial cujo resultado são taxas de crescimento fenomenais capazes de gerar problemas sociais graves pela velocidade da transição. Os tambores da guerra regularmente ouvidos com Taiwan podem ser o escape para o controlo politico da situação. Por último, a situação do Médio Oriente e que tem sido a questão central dos últimos dois anos, que não só não está resolvida como pode fácilmente ser agravada.

Quais as implicações para o mercado Europeu e para Portugal em particular? Estarão a ser avaliadas?
Este é claramente um momento de transição muito mais profundo que a alternância politica ou a concretização de politicas económicas com impacto local. Trata-se da substituição da superpotência económica USA, locomotiva da economia mundial até agora, por outra ou outras superpotências.
Tradicionalmente esse estatuto tem sempre associado uma moeda forte e nesse contexto parece ser a Europa o candidato melhor colocado. É visivel e é previsivel a continuação da valorização do euro. Este facto é um precioso auxiliar a uma maior intervenção politica. Se isso não acontecer é porque o papel moeda deixou de ter valor e o padrão será encontrado no ouro, prata ou outro qualquer benchmark de referência, mas nesse caso teriamos que rever toda a situação.

Agora pretendemos falar sobre aquilo que nos parece mais óbvio neste momento. Discutida que está a questão da moeda devemos falar do trabalho, o vector que mais tem diferenciado as politicas europeias e americana. É conhecida a rigidez das politicas de trabalho da Europa Continental, e são também conhecidos já os efeitos da globalização nos aspectos de trabalho na economia ocidental.
Neste aspecto a questão não se deve colocar em como se revitaliza o sector industrial empregador mas sim como se incentiva o vector empreendedor da população e que sectores produtivos devem ser incentivados.

O paradigma de uma politica de trabalho rigida levou à criação na Alemanha de um site que leiloa postos de trabalho aos candidatos que estejam na disposição de o fazer pelo menor salário. É na Alemenha repetimos, que tem origem esta tecnologia controversa e que está disponivel a todos os trabalhadores candidatos em www.jobdumping.de , sintomático da mudança de mentalidades e da capacidade de adaptação das sociedades em processos de mudança.
Este é um sinal claro de que a retórica na área das politicas de emprego, terá nos anos mais próximos invariavelmente como resultado o aumento do desemprego.

Estas questões relacionadas com questões de trabalho são sempre geradoras de conflitos sociais que nestes dois anos próximos podem ser potenciados pela complacência do sentimento de superioridade americano, irónicamente na fase final do seu dominio económico.

É verdade que ainda se fala hoje na necessidade que o mundo tem do consumidor americano e do seu nivel de consumo, mas a realidade é que já neste momento o consumidor americano tem mais necessidade da poupança mundial do que o resto do mundo e a Europa em particular tem do consumidor americano.

Claramente José Socrates tem a sorte de ter uma maioria absoluta e o azar de ter pela frente pelo menos 3 anos de grandes riscos no ciclo económico mundial. A sorte de ter a maioria absoluta vai permitir-lhe delinear a estratégia mais adequada para o País sem estar condicionado pela oposição. Esperemos que tenha a visão estratégica para não ter que ser demagogo e saiba governar este bairro no contexto Europeu. Tem a sorte de ter um presidente da Comissão Europeia Português que estará no centro de acontecimentos importantes nos próximos anos com poder de intervenção com consequências importantes para todos os Europeus.

Os mercados financeiros vão contrair-se globalmente nos próximos anos, sendo que o mercado americano é o mais vulnerável. Neste grande sistema de vasos comunicantes que é o fluir dos capitais não é possivel que todos os países vivam o mesmo ciclo económico. Como nos mercados de futuros para que um ganhe outro tem de perder e esta é a natureza do mercado global, para que um País esteja no seu pico económico outro deve estar no seu minimo.

Os grandes booms no mercado de capitais dão-se quando existe uma grande concentração de capital num sector determinado, quando este capital se desloca dão-se geralmente também os grandes crashes. O mesmo acontece com as economias, quando o capital se desloca de uma determinada economia para outra.

Esperemos que o novo governo saiba entender os mecanismos ciclicos do mercado de capitais e os possa aplicar ao ciclo económico. Pode procurar seguir sondagens, ou liderar de forma a convencer as massas no final do mandato de que só o rigor e o profissionalismo terão lugar em Portugal, na Europa e no mundo Ocidental em que vivemos.
Quem não estiver preparado para isso pode sempre iniciar de novo o percurso para Africa onde eventualmente ainda pode fazer a diferença com algum valor acrescentado.

O destino da economia mundial vai estar dependente da economia global, que por sua vez estará totalmente dependente do mercado de capitais e cuja valorização estará dependente de aproximadamente 50 novas empresas. Algumas serão Europeias.

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